Crescimento de procedimentos estéticos em locais sem amparo preocupa classe médica, diz presidente do Cremers
O Brasil tem testemunhado um aumento significativo nas intervenções estéticas nos últimos anos, muitas vezes realizadas em locais sem a devida autorização e qualificação profissional. Essa tendência de buscar tratamentos estéticos a preços mais acessíveis têm levado muitas pessoas a submeterem-se a procedimentos sem questionar a competência dos profissionais envolvidos. O resultado é um risco desnecessário em nome da economia, o que preocupa a classe médica. Inclusive, há casos de procedimentos realizados por dentistas e profissionais não médicos que ultrapassam os limites da área autorizada, especialmente na chamada harmonização facial.
Diante disso, a questão que se coloca é: como a comunidade médica enxerga essa situação? Para responder essa e outras questões, a Uirapuru conversou ontem (19) com presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), o Dr. Eduardo Trindade.
De acordo com ele, procedimentos mais invasivos, como correção de orelhas de abano, bichectomia, aplicação de preenchedores e toxinas botulínicas, sejam realizados apenas por profissionais devidamente qualificados e com formação adequada. Essa formação inclui conhecimento em anatomia e farmacologia, permitindo aos profissionais compreender as reações dos fármacos e tratar complicações quando surgirem.
O Dr. Trindade observa uma crescente presença de profissionais da área de saúde, que não são médicos, realizando procedimentos estéticos, muitas vezes colocando a vida dos pacientes em risco. Ele lembrou do caso da fotógrafa que faleceu no interior de São Paulo após um procedimento de endolaser e afirmou que houve casos de profissionais da odontologia que realizaram procedimentos para remover excesso de pele ao redor dos olhos e os pacientes não conseguiram mais fechar os olhos devido a lesões na córnea.
Conforme o presidente do Cremers, o grande alerta da classe médica é que, frequentemente, as pessoas procuram alternativas de baixo custo, optando por estruturas precárias que oferecem preços mais baixos. No entanto, essa escolha coloca em risco a saúde dos pacientes. Os médicos enfatizam que é melhor prevenir do que remediar e isso pode ser alcançado por meio da verificação da habilitação e da infraestrutura dos profissionais.
Outra preocupação destacada por ele é a realização de procedimentos invasivos na região ao redor dos olhos, que não estão dentro do escopo de atuação de profissionais não médicos. Essas intervenções, que envolvem o aparelho mastigatório e outras áreas delicadas, devem ser realizadas por médicos com uma formação mais extensa para garantir segurança. O Dr. Trindade ainda chama a atenção para a necessidade dos profissionais estarem preparados para lidar com complicações. Em muitos casos, profissionais não médicos não possuem o conhecimento adequado para identificar ou tratar complicações, tornando a formação médica essencial para situações como paradas cardíacas ou outras emergências.
Portanto, diante do crescente número de intervenções estéticas realizadas em locais sem a devida qualificação, a mensagem da classe médica é clara, segundo o presidente do Cremers: a segurança do paciente deve estar em primeiro lugar. Diante disso, procedimentos estéticos devem ser realizados por profissionais qualificados e em ambientes adequados para garantir a segurança e a qualidade dos resultados. Conforme Dr. Trindade, a economia de curto prazo não pode sobrepor a saúde e o bem-estar dos pacientes.