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Saúde

Vários fatores são determinantes para o transplante de coração e procedimento não existe na rede particular

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli

Mais de 65 mil pessoas estão na fila de transplante de órgãos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O número é um dos maiores dos últimos 25 anos. Destas, 386 estão atualmente à espera de um coração, de acordo com a última atualização no site do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Uma delas é o apresentador Fausto Silva, o Faustão, que irá se juntar a essas pessoas. O apresentador vem tratando de uma insuficiência cardíaca desde 2020 e nos últimos meses o quadro teve uma piora, necessitando de transplante do órgão.

De acordo com o Coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo, Dr. Cassiano Ughini Crusius, a fila para transplantes é única e não leva em consideração poder aquisitivo ou outros fatores externos. A posição nesta espera ela pode ser alterada, conforme a necessidade e as características do pacientes. Por exemplo, idade, gravidade da situação, chance de cura e expectativa de vida. O médico revela que, a preferência é dada para pessoas que tem um prognóstico de tempo de vida maior após o transplante, em relação a outros que, mesmo com o procedimento, viriam a falecer em poucos meses.

Conforme o médico, o transplante é o último recurso, seja ele de qualquer órgão. Desse modo, ele explica que todas as vias possíveis foram utilizadas no tratamento de Fausto Silva, mas não foram suficientes. Crusius explica que o fator regional também é importante para definir o tempo na fila de espera. Em locais de maior população, como sul e sudeste, o tempo é menor do que em locais com menos habitantes como a região norte do país, por exemplo. Outro ponto é a sensibilidade do coração, sendo um dos órgãos mais difíceis de ser transportados, por isso, normalmente, o transplante ocorre na mesma região ou cidade do doador.

O médico revela ainda que nem sempre quem está no primeiro lugar da fila vai receber o órgão que está disponível. Variações como tipo sanguíneo e compatibilidade do doador com o transplantado precisam ser observadas e, por vezes quem está em outra posição pode receber a doação.