Chacina na Cohab: réu tem pena reduzida em 10 anos pela justiça
Em um novo capítulo envolvendo a chacina da Cohab, como ficou conhecido o crime que vitimou Dienefer Padia, 26 anos, seu cunhado, Alessandro dos Santos, 34, e a filha dele Ketlin Padia dos Santos de 15 anos de idade , o réu acusado de ser o mandante do crime, Eleandro Roso, teve sua pena reduzida pelo TJRS em 10 anos. Eleandro foi julgado e condenado a 69 anos de cadeia, mas sua defesa entrou com recurso pedindo anulação do júri, que foi agora negado, mas acatado parcialmente na redução da pena em 10 anos. A acusação, por sua vez, pretende entrar com recurso e pedir o aumento da pena. O homem segue preso.
O crime ocorreu em maio de 2020. Na época, cinco pessoas foram indiciadas pelas mortes. Foram eles, Eleandro Roso, Fernanda Rizzotto e Claudiomir Rizzotto, mulher e cunhado de Roso, além do ex-policial militar Luciano Costa dos Santos e Monalisa Kich Anunciação.
Apenas duas pessoas acabaram presas: Luciano Costa dos Santos e Eleandro Roso. Monalisa não teve prisão decretada e respondeu o processo em liberdade. Os irmãos, Fernanda e Claudiomir estão foragidos desde a elucidação do caso, quando tiveram suas prisões decretadas.
A investigação apontou que Eleandro, Fernanda e o irmão dela, Claudiomir Rizzotto resolveram tirar a vida de Dienifer por ela estar extorquindo seu ex-patrão Eleandro, com quem teve um filho. Há alguns anos, Claudiomir trabalhou em um posto de combustíveis, onde conheceu Luciano Costa dos Santos (Costinha), que fazia a segurança do estabelecimento. Costinha, que foi expulso da Brigada Militar, recebeu a proposta para cometer o crime. Na época do fato, o ex-pm, com passagens pela polícia, possuía uma empresa de segurança. Costinha terceirizou o trabalho, contratando dois homens para matar Dienifer.
O QUE MOTIVOU A CHACINA?
Conforme a Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa de Passo Fundo (DHPP), Dienifer trabalhou em uma propriedade rural, em Casca, e teve uma relação extraconjugal com seu patrão, Eleandro Roso que é casado. Na relação, Dienifer engravidou do homem, porém escondeu que estava grávida. No momento em que mulher de Eleandro, Fernanda Rizzotto, teve conhecimento do relacionamento, Dienifer foi expulsa do trabalho, onde ela também residia, e retornou para Passo Fundo. A esposa do patrão só teve conhecimento que o filho da empregada era de seu marido, após o nascimento da criança.
Ao retornar para Passo Fundo, primeiramente, Dienifer foi morar no Bairro Cruzeiro. Ali, ela começou a receber ameaças. No início do ano de 2020 recebeu, em casa, uma caixa com uma boneca mutilada. De acordo com a polícia, Eleandro passou a ser extorquido pela ex-funcionária. A casa no Bairro Cohab foi comprada pelo homem para usufruto da criança. Diante desta situação houve o planejamento do crime, sendo que o alvo inicial era Dienifer, os demais foram mortos para não testemunhar o crime.
PLANEJAMENTO DO CRIME
Monalisa Kich Anunciação, mulher do ex-pm, que terceirizou o trabalho, comprou um celular de Dienefer via internet. Acompanhada de um taxista ela foi até a residência, buscou o aparelho e fez fotos da parte interna e externa da casa. Dienifer fez um novo anúncio na internet, dessa vez, estava vendendo uma estante. A venda não foi realizada. Os supostos compradores foram até a residência na noite de 19/05/2020 e cometeram a chacina.
A polícia destacou que o alvo era apenas Dienifer, e que sua sobrinha e cunhado estavam no “lugar errado e na hora errada”. Todos foram asfixiados e mortos com lacres “engasga gato”.