Cerealista acredita que fim de acordo de exportações entre Rússia e Ucrânia pode ser benéfico para o Brasil
O anúncio de que a Rússia não renovará sua participação em um acordo que permitia aos ucranianos exportarem grãos pelo Mar Negro pode ter um impacto nos preços globais dos alimentos. Isso porque a Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de girassol, milho, trigo e cevada. Os preços desses produtos já subiram nesta segunda-feira (17), após o anúncio do fim do acordo.
No início da guerra, em fevereiro de 2022, o bloqueio da Rússia fez com que cerca de 20 milhões de toneladas de grãos ficassem presos em portos do Mar Negro. A baixa oferta em meio à alta demanda fez os preços mundiais dos alimentos subirem – o que pode acontecer novamente.
Quando o acordo foi assinado e os embarques de grãos recomeçaram, os preços mundiais dos alimentos caíram cerca de 20%, de acordo com a agência da ONU para Agricultura e Alimentação. No entanto, essa situação pode ser benéfica para o agronegócio brasileiro. É o que avalia o cerealista Mario Klein. De acordo com ele, o Brasil teve pelo segundo ano consecutivo uma safra recorde de milho. Além disso, a expectativa é muito boa para a safra de trigo que começará a ser colhida em novembro.
Klein avalia que, caso o acordo entre Rússia e Ucrânia realmente se encerre, os demais países buscarão os grãos em outros fornecedores e o Brasil se tornaria um dos principais. Outro ponto é em relação ao preço dos grãos. O possível fim do acordo deve resultar em um aumento no preço do milho e trigo, principalmente. Isso também beneficiaria os produtores brasileiros que poderiam exportar os seus grãos com preços melhores. O impacto negativo poderia ser para o consumidor, uma vez que os valores de produtos como o pão, por exemplo, poderia subir. No entanto, Mario Klein relembra que o preço do trigo reduziu bastante nos últimos meses, mas o mercado não repassou a queda para os consumidores. Sendo assim, o cerealista acredita que há uma margem para que os produtos não encareçam imediatamente.