Perspectivas futuras impulsionam indústria de Passo Fundo apesar do cenário desaquecido no RS
A indústria gaúcha continua desaquecida, segundo revela a pesquisa “Sondagem Industrial do RS”, divulgada na terça-feira (4) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). No entanto, surge a pergunta: como está o ritmo da indústria em Passo Fundo? Para respondê-la, a Rádio Uirapuru conversou com o presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agronegócio (Acisa) de Passo Fundo, Cássio Roberto Gonçalves.
Ele explica que a pesquisa envolveu a opinião dos empresários e suas perspectivas futuras. Foram ouvidas 200 empresas, sendo 21% de pequeno porte, 35% de médio porte e 45% de grande porte. Os resultados demonstram um crescimento modesto em nível estadual, mas muito aquém das expectativas econômicas para o Estado.
Em Passo Fundo, a situação não é diferente, segundo Gonçalves. No entanto, a cidade possui uma economia diversificada. Durante a conversa sobre a sondagem apresentada pela Fiergs, ele afirma que ficou evidente que a indústria voltada para o setor agropecuário tem perspectivas de investimento, pois trabalha com tecnologia e, nesse campo, os investimentos nunca param. No entanto, essas indústrias aguardavam pelas taxas de juros voltadas ao Plano Safra, que, apesar de significativas, ficaram abaixo do esperado.
As altas taxas de juros acabam inviabilizando o financiamento de equipamentos, o que resulta em retração ou falta de investimento por parte dos empresários agropecuários em equipamentos de grande porte. Ao mesmo tempo, o presidente da Acisa conta que as indústrias que lidam com equipamentos e produtos de menor valor têm a expectativa de um crescimento maior do que vinham experimentando, superando as grandes indústrias voltadas para o agronegócio, por exemplo.
De acordo com ele, a expectativa geral é que as empresas de menor porte consigam realizar investimentos maiores, adquirindo equipamentos e expandindo as exportações. No entanto, esse setor enfrenta instabilidade econômica, aumento de custos de insumos e incertezas relacionadas à reforma administrativa e tributária. Outra questão é a demanda insuficiente, que impacta negativamente a geração de empregos.
Segundo Gonçalves, nos últimos 10 meses o setor registrou uma queda significativa. Ao conversar com industriais de Passo Fundo, observa-se uma perspectiva melhor, porém, a tendência é que a retomada ocorra em um ritmo mais lento, assim como mostrado pela pesquisa em nível estadual. A expectativa é que haja um crescimento favorável no último trimestre deste ano e no próximo semestre de 2024, com uma tendência ainda mais positiva para o setor industrial.
Esse cenário tem um impacto significativo em Passo Fundo, pois o presidente da Acisa destaca que há a perda de postos de trabalho e a falta de contratações. Em alguns cenários, pode até ocorrer uma redução de empregos, caso não haja movimentos de fortalecimento econômico e político de incentivo ao setor industrial.