Aumento das compras online afeta vendas no Camelódromo de Passo Fundo
O Ministério da Fazenda publicou ontem (30) uma portaria com novas regras para compras internacionais feitas pela internet. De acordo com a norma, o governo deixará de cobrar o Imposto de Importação para compras online de até US$ 50,00, desde que as empresas se inscrevam em um programa da Receita Federal e recolham os tributos estaduais. No entanto, surge a questão de se esses sites de compras internacionais diretas realmente ameaçam os negócios locais em Passo Fundo, como os camelôs, que também vendem produtos importados, possuem licenças e pagam seus impostos.
Em entrevista na Rádio Uirapuru, o presidente da Associação dos Camelôs de Passo Fundo, Francisco Brasil, afirmou que tem sido difícil para o camelódromo lidar com o aumento das compras online. Quando alguém viaja para o Paraguai, há despesas com passagem, jantar, café, almoço, e tudo isso gera custos. No entanto, ao comparar os preços com as compras pela internet, percebe-se que é muito mais barato. Brasil afirma que pessoas que viajam há 32 anos sabem o quão difícil é fazer suas compras. É muito trabalho e muitas complicações, pois as despesas são altas em relação aos lucros.
Ele conta que, após a pandemia, cerca de 30 a 32 bancas seguem funcionando, de um total de 50 em Passo Fundo. Muitos desistiram, encontraram emprego ou até mesmo faleceram. Outro ponto que o presidente afirma é que as pessoas estão buscando mais inovação e o Camelódromo não está atraindo tantos clientes neste quesito como era antes. Brasil declara que falta inovação nos produtos, revitalização da praça, fazer reformas para torná-la mais bonita e realizar algo chamativo e diferente.
O presidente declara que algumas bancas não têm mais funcionários porque não conseguem se sustentar, além de terem que arcar com despesas como pagamento de segurança, luz, alvará, o que acaba reduzindo consideravelmente os lucros. Ele conta que hoje o Camelódromo vende mais produtos simples, como capas de chuva, guarda-chuvas, acessórios e cobertores. Antes, as pessoas iam até o local para comprar um carregador de celular e acabavam fazendo um rancho completo. Hoje, chegam com dinheiro contado, o que dificulta muito as vendas.
Mesmo assim, os camelôs permanecem como mais uma opção de compra para pessoas e famílias que dependem dessa renda.