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Geral

Dia Internacional da Prostituta: pandemia fez aumentar número de mulheres atuando, diz profissional

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

Hoje, 02 de junho, é o Dia internacional da Prostituta.  A data foi criada para combater a discriminação das prostitutas, as suas condições precárias de vida e de trabalho e a sua exploração. A data surgiu no dia 2 de junho de 1975, data onde mais de 100 prostitutas ocuparam a Igreja Saint-Nizier, na França, a fim de chamar a atenção para a sua situação. No ano seguinte a data foi então instaurada.  Hoje o termo prostituta está em desuso, sendo adotado o nome de acompanhante. A forma de contato também mudou e as profissionais não ficam mais restritas a um local físico, tendo anúncios na internet e mobilidade entre cidades e estados.

A Uirapuru conversou com uma acompanhante que atua de passagem por Passo Fundo, a qual fez um relato sobre este trabalho, muitas vezes condenado e visto com preconceito.  A profissional não quis se identificar, apenas informou ser gaúcha e que estava na cidade por um período.  Questionada sobre como uma mulher decide entrar neste trabalho, a profissional disse que depende de vários fatores, todos tendo relação com a história de vida da mulher.  No entanto, a maioria das acompanhantes vem de famílias humildes, sem muito dinheiro, mas que precisam se virar para buscar seus sonhos.  A dificuldade e necessidade também faz muitas entrarem neste trabalho.

Há mulheres com filhos que precisam ser sustentados, que precisam de estudo e demandam responsabilidades. Há mulheres que entram no trabalho de acompanhante para fazerem faculdade ou pós graduação, saindo do ramo depois e entrando no mercado de trabalho.  Há um objetivo individual, que pode ser o estudo, a casa própria e outros sonhos. Disse que a pandemia fez aumentar muito o número de acompanhantes em sites e casas noturnas.

Disse que cada vez mais há mulheres entrando no ramo, que pela necessidade da pandemia são obrigadas a atuar neste trabalho. A profissional disse que não se permanece muito tempo em uma mesma cidade, pois o mercado demanda rotatividade.  Não há intermediação, mas sim grupos de trabalho apontando cidades mais favoráveis para este ofício.  Passo Fundo tem alto fluxo de pessoas, principal requisito para as profissionais atuarem.  Tudo isso tem custo, aluguel, alimentação e transporte, gerando despesas para trabalhar como qualquer mercado.

No aspecto saúde, a acompanhante disse que 99,9% das profissionais usam proteção.  Muitas vezes mulheres que não atuam como acompanhantes acabam não se cuidando da mesma forma.  As garotas contam com atendimento de saúde e prezam muito por isso. Citou que trabalha neste campo há muito tempo, já tendo saído e voltado da profissão.  Este trabalho cobra um preço e não há como ter um relacionamento estável e sério como qualquer pessoa.  A acompanhante contou que o seu retorno ocorreu por necessidade, após sua separação e um câncer de mama, o qual demandou tratamento e muito dinheiro, gerando dívidas que agora são pagas com este trabalho, de maneira honesta.

Sobre a relação com a família, contou que a maioria sempre reprova quando uma mulher entra neste trabalho, mas também são pessoas que não estendem a mão e não ajudam.  A profissional, que tem anos de trajetória, disse que hoje todos sabem e aceitam seu trabalho, mas o início sempre para em reações de reprovação.  Por último, destacou que o aumento de profissionais, após a pandemia, trouxe o reflexo também da diminuição de clientes por dia. Finalizou dizendo que todas tratam este trabalho de forma profissional, cientes do que buscam e visando um objetivo, por isso merecem respeito.