Skip to content

Tradicionalismo

Regra do MTG com 20 anos de criação define que CTGs toquem apenas músicas gauchescas

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Em mensagem enviada aos coordenadores e vice-coordenadores regionais, o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Manoelito Savaris, anunciou a aplicação de “procedimentos regulamentares” aos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) que executarem músicas não tradicionais nos galpões. Essa medida foi motivada pela realização de eventos que misturam grupos de fandango com bailão, o que gerou discussões no âmbito tradicionalista.

Falando sobre o assunto na Uirapuru, o coordenador da Sétima Região Tradicionalista (7°RT), Alessandro Gradaschi, explicou que o movimento tradicionalista existe há mais de 70 anos e não busca proibir nada, sendo favorável a todas as manifestações culturais. Ele também destaca que o MTG respeita todos os profissionais da música e conjuntos musicais, proporcionando diversão ao povo. Porém, normas foram criadas no passado e hoje precisam ser seguidas.

Gradaschi explica que existem 113 entidades filiadas apenas na Sétima Região, sendo que o Estado conta com 30 regiões e 1.600 entidades. Além disso, há filiais do MTG em outras partes do país, todos seguindo os preceitos do movimento tradicionalista gaúcho do Rio Grande do Sul. De acordo com o coordenador, o MTG possui suas entidades filiadas, que são os CTGs, e há mais de 20 anos existem normas que estabelecem a não execução de músicas que não sejam gauchescas nestes locais.

Ele lembra que o primeiro CTG foi fundado em 1948, em Porto Alegre, com o propósito de resgatar e preservar a cultura regional gaúcha. Como a essência de uma entidade tradicionalista é justamente a preservação da cultura gaúcha em todos os aspectos, como dança, indumentária e culinária, essa regra, estabelecida há mais de 20 anos, deve ser respeitada.

Gradaschi ressalta que a regra está descrita no artigo 29, inciso 12, que trata dos deveres das entidades filiadas ao MTG. Segundo esse artigo, as entidades têm o dever de contratar para fandangos e eventos os conjuntos musicais que executem exclusivamente música gauchesca. No entanto, essa regra não se aplica a eventos em que sejam homenageadas etnias formadoras, como italiana, alemã e polonesa. Outra exceção, conforme o coordenador, é quando uma entidade aluga seu espaço para casamento, formatura ou aniversário de 15 anos, que são eventos fechados e executam outros gêneros musicais.

Alessandro Gradaschi afirma que a orientação de apenas música gauchesca ser aceita em CTGs foi estabelecida em 2003, após questões relacionadas ao Tchê Music, quando entidades do MTG se reuniram e colocaram como regra esta norma. De acordo com ele, essas regras foram decididas pelos patrões há anos e devem ser cumpridas. Se houver a intenção de modificar o que foi combinado há duas décadas, será necessário reunir novamente as entidades para discutir e rever o acordo.