Sem Segredo: para ouvintes, exposição precoce de crianças ao celular é prejudicial
O telefone celular está presente na vida de todas as pessoas, seja idosos, jovens, adultos e até crianças. O aparelho, que ganhou força no Brasil no início dos anos 2000, passou por uma verdadeira revolução ao se transformar smartphone a partir de 2010. Cada vez mais tecnológico, o celular hoje é muito mais usado para dados, vídeos, estudo e recreação do que propriamente para conversar com alguém por chamada convencional. A pandemia intensificou o contato das crianças com o aparelho, uma vez que o ensino remoto chegou sem aviso prévio.
Estudos recentes feitos na Europa apontam que crianças de zero a oito anos de idade têm pouca ou nenhuma percepção dos riscos online, quando o assunto é o uso de telefones celulares e aplicativos de redes sociais. Ao mesmo tempo, muitos pais adotam o celular para companhia da criança como uma forma de distrair os pequenos, diante de agendas ocupadas. Do outro lado do continente, nos Estados Unidos, escolas públicas americanas entram com ação para responsabilizar redes sociais por danos à saúde mental das crianças e adolescentes.
Neste contexto o Programa Sem Segredo, do último sábado, perguntou: você acha que as crianças estão ganhando celular muito cedo? Quais os impactos que isso gera na formação e socialização? Para falar sobre esse tema, o Sem Segredo teve a participação do Professor de Direito do Consumidor do Curso de Direito da UPF, integrante do Balcão do Consumidor e Diretor da Escola de Ciências Jurídicas da UPF, Dr. Rogério Silva, além do psiquiatra Dr. Érico Hecktheuer.
O programa foi apresentado por Maurício Paim. Em sua participação, Hecktheuer alertou que o acesso cada vez mais precoce ao celular é uma realidade. Disse que as crianças enxergam seus pais mexendo no telefone e querem também para si. Há uma recente recomendação mundial para que crianças com menos de 1 ano não tenham contato com as telas. Acima de 2 anos e até 5 anos este contato será de no máximo 1 hora por dia com os celulares. Esta recomendação existe porque o uso excessivo atrasa o desenvolvimento cognitivo, emocional e coordenação motora. Para Hecktheuer o celular traz muitos benefícios, mas o problema repousa no mau uso do aparelho e isso quem deve estar no controle são os pais, dosando a exposição das crianças a isso.
O Professor de Direito do Consumidor do Curso de Direito da UPF, integrante do Balcão do Consumidor e Diretor da Escola de Ciências Jurídicas da UPF, Dr. Rogério Silva, disse que até os anos 80 e 90 as crianças consumiam programas de distração e recreação pela televisão. Lá só podiam escolher o canal, mas não o horário do que poderiam ver. Havia o diferencial da limitação de horário em que isso estava disponível naquela época. Hoje isso é diferente, com a criança podendo acessar o que quer a qualquer momento e local. Avaliou que o celular não é negativo e nem deve ser proibido, o problema está na qualidade do que as crianças podem acessar e na frequência, algo que pode ser decidido pelas crianças, sem supervisão dos pais. Para O Dr. Rogério, é isso que deve mudar.
Para os ouvintes do Sem Segredo, as crianças estão tendo sim acesso muito cedo ao celular e isso está causando prejuízos. O online, até para ensino, não tem, na visão dos ouvintes, a mesma qualidade do presencial, evidenciando que nem tudo pode ser digital. Um ouvinte citou o fato de que há um tipo de moda que dita a obesidade, depressão e celular como regra. Para os ouvintes as crianças estão perdendo o contato com o mundo externo em uma fase importante para a vida.