Emoção, afeto e comportamento: não estar totalmente bem emocionalmente também é sinal de saúde
O mundo sofreu nos últimos três anos mudanças profundas não vistas desta forma em décadas. Em questão de dias as pessoas viram suas vidas virarem do avesso com restrições mundiais de atividades em uma tentativa desesperada para barrar o avanço do novo Coronavírus. Negócios foram obrigados e fechar suas portas e o comportamento humano mudou em meio a um cenário de medo e incertezas. Com poucas informações e mortes ocorrendo em escala, o aspecto psicológico de todos sofreu um duro golpe.
O isolamento chegou, privando atividades simples de recreação e trazendo sensação de que tudo havia acabado, para muitos. O resultado foi um impacto massivo na saúde mental das pessoas, preocupando autoridades e profissionais de saúde. No último mês foi realizada a campanha Janeiro Branco, em todo o Brasil , chamando a atenção para a saúde mental.
O assunto foi abordado no programa Emoção, Afeto e Comportamento, em sua última edição semanal na Uirapuru. O programa foi apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer e contou com a participação do professor Dr. em psicologia Jean Von Hohendorff . O profissional explicou que a saúde mental é erroneamente apontada como algo que depende só de uma pessoa.
Disse que o ser humano reflete o ambiente e suas relações com os demais. Não há saúde mental com a pessoa isolada, passando por problemas diversos como ausência de emprego, problemas de saúde ou outros. Para ele, isso é difundido de uma forma errada por algumas pessoas do campo motivacional, as quais frisam que tudo depende unicamente de você, incluindo a saúde mental. Jean Von Hohendorff disse que as pessoas estão se transformando em empresas, pensando sempre no que podem fazer, até no tempo livre, para ter mais lucro ou benefícios, esquecendo-se do restante.
O Dr. em psicologia também foi enfático ao dizer que, no contexto atual do mundo, com tudo o que está acontecendo, não estar 100% bem é tido como um sinal de saúde. Isso porque é um reflexo de que a pessoa está criticando e não concordando com tudo o que acontece à sua volta. Finalizou alertando para o que chama de “produtividade tóxica”, onde é cobrado excessivamente das pessoas que tudo esteja bem e a produção continue, ignorando o que se está sentindo, quando o que nos faz seres humanos é ter emoção.