Autor de feminicídio se apresenta e é preso pela Delegacia da Mulher em Passo Fundo
Foi preso o homem apontado como autor do feminicídio de Keli Greice do Amarante de Souza, 26 anos, em Passo Fundo. A prisão ocorreu no início da noite dessa quarta-feira (08) na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM).
A equipe da delegada Rafaela Bier procurava pelo indivíduo desde o último domingo, quando ele cometeu a então tentativa de feminicídio. Nesta quarta-feira Kelli morreu no hospital e no início da noite o autor se apresentou junto com seu advogado.
O homem ficou em silêncio e destacou que irá falar apenas em julgamento.
Ele foi conduzido ao Presídio Regional de Passo Fundo onde permanece em prisão preventiva.
O preso foi identificado como Elizandro Luís Xavier Caliari, 25 anos.
Com exclusividade a Rádio Uirapuru acompanhou a saída do preso da delegacia. (vídeo abaixo)
NOTA DA DEFESA
“Gostaria de dizer que no andamento da instrução processual, iremos esclarecer todos os fatos, mostrando o que realmente aconteceu na noite desse episódio, e que o autor se entregou de boa-fé, e vai cooperar com a justiça, para que o caso seja resolvido da forma mais célere possível”
Orides Rocha de Andrade Junior OAB/RS 126.851
RELEMBRE O CASO
De acordo com o registro policial, o casal estava em casa quando houve uma discussão e o homem, após ingerir bebida alcoólica efetuou um disparo de arma de fogo em direção a vítima, que foi atingida no pescoço. Ela foi levada por uma vizinha ao atendimento médico no Hospital de Clínicas em Passo Fundo.
Keli er passou por cirurgia e permaneceu na se recuperando na casa hospitalar até a manhã desta quarta-feira (08).
Seu quadro clínico piorou nas últimas horas e ela veio a óbito. O tiro, efetuado pelo seu companheiro, rompeu as vértebras e a medula da jovem.
O caso é investigado pela DEAM de Passo Fundo. De acordo com a delegada Rafaela Weiler Bier, a vítima já havia procurado a DEAM em janeiro, solicitando medidas protetivas de urgência, que foram prontamente deferidas. Porém, dias após o fato, as medidas protetivas de urgência foram revogadas pelo Poder Judiciária a pedido da vítima, sob o argumento de que agiu por impulso e que não tinha medo do agressor.
Rafaela destaca como é importante que a vítima consiga romper o ciclo da violência. “A vítima jamais pode menosprezar a conduta do agressor ou mesmo se sentir culpada. A manutenção da medida de afastamento do agressor com certeza evita a morte, infelizmente, no caso em análise, o pedido da vítima solicitando a revogação das medidas protetivas colocou seu direito a vida em risco.”