Se você quer que seu filho se torne um bom ser humano, dê limites a ele desde cedo
Quase sem perceber, as regras e limitações das crianças são marcadas quase desde o nascimento. Modelar suas necessidades de sono, alimentação e brincadeiras, de acordo com os ritmos da casa é uma das primeiras maneiras de desafiar as normas.
À medida que a criança cresce, ensinar “limites” torna-se mais complexo.
Outros tipos de emoções aparecem, e eles descobrem na empatia, algo essencial para traçar as regras de comportamento baseadas no respeito ao outro.
Especialistas concordam que é essencial estabelecer limites para certos comportamentos.
“Vivemos em uma sociedade tremendamente difícil, que tem suas regras. Se não os acompanhássemos, geraríamos situações desconfortáveis em nível social”, explica a psicóloga Silvia Álava.
Em seu livro Queremos crianças felizes. O que nunca fomos ensinados. (J de J editores), diz que “as crianças precisam de regras e limites, e quando não as têm, ficam muito perdidas, não sabem o que têm que fazer, o que se espera delas, e duvidam do caminho que eles devem escolher.
É importante que os pais saibam o que são “regras ou limites saudáveis”, algo que permite à criança agir com respeito, mas sem limitar seu desenvolvimento.
ENCONTRAR O EQUILÍBRIO E EVITAR TRANSMITIR FRUSTRAÇÕES, SÃO DOIS ASPECTOS FUNDAMENTAIS PARA ESTABELECER BONS LIMITES.
“Regras e limites não se anulam, simplesmente ajudam a adquirir o autocontrole , algo necessário na vida. Estamos dizendo aos menores o que pode e o que não pode ser feito”, diz Álava em seu livro.
De fato, se uma criança crescesse sem saber como restringir seu comportamento, o resultado poderia ser fatal.
“Se ela cresce sem que eles sejam colocados, pode se tornar um sociopata, que não leva em consideração os desejos e direitos dos outros e busca apenas satisfazer seu hedonismo”, alerta Domínguez.
Não adianta ter uma longa lista do que pode e do que não pode ser feito, pois pode até ser contraproducente. “Os limites têm que ser claros, breves e adequados à idade. Muitos limites restringiriam a liberdade da criança.”, recomenda Álava, que lembra que toda vez que uma regra é definida, deve-se explicar sua razão de ser.
Além disso, todas as regras devem ser consistentes com os comportamentos que os pequenos percebem.
IMPOR NÃO FUNCIONA; TODA VEZ QUE UMA REGRA É ESTABELECIDA, SUA RAZÃO DE SER DEVE SER EXPLICADA”, SILVIA ÁLAVA.
Apresentá-los como algo que nos ajuda a todos a ter uma convivência, melhorará a aceitação de quem os recebe. “Com os adolescentes é preciso introduzir sentimentos para que adquiram uma cultura emocional. ‘Estou decepcionado com o que você fez e agradeceria se não o fizesse’ ou oferecer alternativas aos comportamentos que eles desenvolveram”, explica a psicóloga.
No nosso dia a dia todos experimentam frustração, satisfação, alegria ou tristeza. É uma oportunidade e uma obrigação como pais preparar a criança ou o jovem e ensiná-los a gerir a frustração.
É um processo pelo qual eles aprenderão a se autorregular. No entanto, Álava alerta que em nenhum momento é necessário estabelecer uma punição exemplar, mas sim, expor as consequências lógicas, tanto comportamentais quanto emocionais, caso a regra não seja seguida.
“Nunca é necessário castigar a criança para que ela aprenda ou fazer qualquer coisa para que ela se sinta mal ou a insultar de alguma forma. Por exemplo, se ela te desrespeitou, você pode dizer: ‘Espere um pouco, preciso de um tempo, porque você me fez sentir mal’. Mas em nenhum momento você deve puni-lo”, explica a especialista.
É UMA OPORTUNIDADE E OBRIGAÇÃO COMO PAIS, ESTABELECER LIMITES SAUDÁVEIS, PREPARAR A CRIANÇA E ENSINÁ-LA A ADMINISTRAR OS SENTIMENTOS E EMOÇÕES, MOSTRANDO A ELA COMO ELES SE SENTEM”, IARA FONSECA.