Ponto e Contraponto: transição andando
Se liga no passado!
Para analisar o ambiente político atual é preciso, necessariamente, conhecer a história e entender como se dão as relações entre os grupos que estão no Poder. As variáveis são as mais diversas. Mas, existe uma que não muda: quem está no Poder, quer permanecer no Poder. Seja ele A, B ou C. É por isso, por exemplo, que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, aliado de primeira hora de Bolsonaro, se aproxima do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é pragmatismo político. Pra quem não sabe o significado da palavra, é só dar um google. Lira foi o primeiro chefe de Poder a reconhecer a vitória de Lula, no domingo à noite. Lira já demonstrou disposição de negociar mudanças no ‘orçamento secreto’ com o futuro governo. Lira já acenou com o apoio do Centrão. Lira quer ser reeleito presidente da Câmara dos Deputados e precisa do governo para que isso aconteça. Lira é pragmático e assim como ele, tantos outros o são.
Transição
A transição de governo já começou em Brasília e terá o acompanhamento direto do Tribunal de Contas da União. Instituições funcionando sem pensamentos mágicos, segundo reitera o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro ‘A mão e a Luva, o que elege um presidente’. As duas equipes serão formadas por 50 integrantes, remunerados pelo trabalho. A equipe do governo que sai tem o papel de repassar o máximo de informações necessárias para o governo que assume e o papel do TCU é justamente para evitar a sonegação de dados.
Os nomes
O deputado federal reeleito e presidente do PT estadual Paulo Pimenta, está na lista dos gaúchos que poderão integrar o primeiro escalão do governo Lula. Na segunda hipótese, poderá ser o líder de governo na Câmara dos Deputados. Edegar Preto, que teve um excelente desempenho eleitoral na disputa ao governo, quase empatando com Eduardo Leite na disputa do segundo turno, cotado para o Incra ou Conab. Manuela D´Ávila (PCdoB) também está nesta lista de primeiro escalão.
Indicativo
Uma fala do governador eleito Eduardo Leite, durante jantar realizado no CTG Lalau Miranda, no fim da campanha do segundo turno, dá esperança de que Passo Fundo possa mesmo contar com um representante na Câmara dos Deputados. Por duas ocasiões ele tratou Luciano Azevedo como deputado federal, dando a entender que está disposto a viabilizar.
Soma
Luciano Azevedo foi importante para que Eduardo Leite melhorasse o desempenho eleitoral no município. Refez todas as visitas que havia feito na campanha para deputado, mobilizou equipe, foi pra rua. Mas, a transferência de voto dos partidos de esquerda para Leite, no segundo turno, foi cirúrgica em Passo Fundo. Edegar Preto fez 23,40% no primeiro turno. Leite somou 30,65%. No segundo turno, o governador eleito cresceu quase 27%, numa clara absorção dos votos de Preto.
Correlação
Mesmo que a correlação de forças políticas para 2024 em Passo Fundo tenha pontos mais favoráveis ao grupo do prefeito Pedro Almeida (PSD), com a vitória de Leite, há muito caminho a ser trilhado. São dois anos que nos separam da eleição municipal e muitas pedras rolam pelo caminho.
Rápidas
– Em manifestação ontem, na abertura da sessão plenária do TSE, o ministro Alexandre de Moraes disse que resultado das urnas é incontestável e criminosos serão responsabilizados por atos antidemocráticos.
– O bloqueio de rodovias, a violência registrada em alguns pontos, o uso de simbologias nazistas e a incitação para a ocupação das vias públicas estão na mira da Polícia Federal e Ministério Público Federal.