Skip to content

Finados: morrer é dizer “sim” à eternidade

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
Imagem não disponível

Falar da morte nos dá medo, mesmo sabendo que é uma das poucas certezas que temos. Preferimos negá-la ou silenciar. E é questão de tempo, sempre termina por chegar, em ocasiões de uma maneira inesperada: tantas vidas ceifadas, tantas mortes prematuras, tantas histórias truncadas em muitos lugares de nosso mundo.

São mães, pais, maridos, mulheres, irmãos, filhos, amigos, avós, vizinhos, companheiros de trabalho, de comunidade…; tantos que faleceram por diferentes causas e que estão presentes em nossa memória, na lista de ausências. A morte traz dor pela ausência, saudades pelos momentos que se foram, desejo por um presente no qual não estão. Na fé, que ajuda a trazer um horizonte de sentido, a memória dos que partiram desperta também uma profunda gratidão pelas vidas daqueles(as) que amamos, pelas “marcas” que deixaram em nossas vidas, pelas presenças inspiradoras que despertam uma serena consolação, pela esperança de que, um dia, de outro modo, voltaremos a nos encontrar e não haverá mais tristeza, nem pranto, nem dor…

Vale a pena, no dia de hoje, ativar a “memória agradecida”.

Neste Dia de Finados, passarão por nosso coração e pela nossa memória, de um modo muito especial e íntimo, aquelas pessoas que foram e são parte de nossa vida e que, ao fazerem a “travessia” para outra margem continuam presentes, amando-nos e sendo amadas por nós.

Finados é um “dia memorial”: memória agradecida que não nos fixa na saudade do passado, mas, nos instiga a prolongar na nossa vida o modo original de viver de tantas pessoas que agora estão “no coração de Deus”. Este é o objetivo dos ritos de finados: ajudar-nos a processar a vida, a morte, a dor, a alegria…, carregados de oração e emoção que move nosso interior à contemplação.

Eles e elas continuam estando presentes, não só na esperança de futuro. Continuam estando em nós que os recordamos.

Sabemos que dentro de cada pessoa encontra-se o desejo de eternidade gravado no coração.

A vida é simplesmente eterna. E ela se aninha em nós e, passado certo lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora. Nós não acabamos na morte.

Neste Dia de Finados, fazer memória das pessoas que já fizeram a travessia é despertar a reverência pela vida. A vida é tanta surpresa, tanta novidade e riqueza que desperta o assombro e o encantamento.

Fazer memória daqueles que viveram intensamente (mesmo que por pouco tempo) nos mobiliza e nos compromete a viver mais intensamente. E viver intensamente é viver aqui e agora de “modo eterno”.

Alguém já afirmou que a morte é a realidade mais universal, pois todos morrem, mas nem todos sabem viver. Por isso, viver é uma arte; é necessário reinventar a vida no dia a dia, carregá-la de sentido.

“A tragédia não é quando um ser humano morre; a tragédia é aquilo que morre dentro da pessoa enquanto ela ainda está viva” (Albert Schweiter).

Quem viveu intensamente deixa “marcas”; fazemos, então, memória dessas marcas. “Aquilo que a memória amou fica eterno” (Adélia Prado). A memória é a presença da eternidade em nós. Tudo o que recordamos da pessoa que “já partiu” é semente de eternidade. Sua passagem entre nós não foi em vão.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. De travessias. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Portanto, neste dia,  vamos celebrar a vida, a vida verdadeira, a plenitude dos irmãos que já vivem para sempre, que estão no coração de Deus. Porque a vida, como um rio, tem duas margens; a ponte para cruzar de uma margem à outra é construída diariamente com o amor, a fraternidade, a solidariedade, a esperança…, que ao longo da vida vamos semeando em nós, nos outros e na criação, dando a esta vida uma dimensão celestial.

Notícias Relacionadas