Na Uirapuru, Diza Gonzaga afirma: a violência no trânsito é causada pela sensação de impunidade
O Tribunal do Júri decidiu, na terça-feira (23), pela condenação do homem que atropelou e matou o menino Keverton Eduardo Mokan da Silva, de 8 anos, e provocou lesões graves no irmão da vítima, Kevin Mokan Veiga da Silva, de 11 anos, em Nova Ramada, no Noroeste do Rio Grande do Sul. O homem pegou 8 anos de cadeia por matar a criança ao dirigir embriagado.
Falando sobre o assunto na Uirapuru, a diretora institucional do Detran/RS, Diza Gonzaga, que também é idealizadora e presidente voluntária da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, declarou que quase 80% dos acidentes com mortes ou lesões tem alcoolemia positiva.
Conforme Diza, o álcool segue sendo o grande vilão na questão do trânsito e casos como o de Nova Ramada comprovam isso. De acordo com ela, o número de condenações por esses crimes não dá para encher os dedos de uma mão. Diza considera isso um fato lamentável, já que quem dirige embriagado perde reflexo e percepção de distância, transformando o veículo em uma arma. A diretora também afirma que o Brasil já está entre os que mais matam no trânsito e atribui isso a sensação de impunidade que a justiça passa, de que matar nas ruas não dá nada.
Ela também declara que a condenação ao homem que atropelou e matou os meninos de Nova Ramada é pouca, se comparada ao que a família das vítimas passou e segue passando, perdendo um filho e tendo traumas psicológicos que nunca serão superados. Diza Gonzaga destaca que, no momento que um motorista assume o risco, é preciso ser punido exemplarmente. Por isso, afirma que a justiça não precisa ser mais rigorosa, mas apenas cumprida, de acordo com o que mostra no Código Brasileiro de Trânsito.
Ela destaca ainda que não há motivos para festejar o desfecho deste caso, que trouxe uma pequena pena ao culpado e demorou anos para ser efetuada. De acordo com Diza, além de cumprir as leis do Código Brasileiro de Trânsito, todos também precisam seguir a “lei da vida”, onde todos são iguais e ninguém tem o direito de sair no trânsito embriagado fazendo o que bem entender.