Sem Segredo: maioria dos ouvintes acha que corrigir erros dos filhos pode evitar mais vandalismo
Uma imagem de uma mulher e um adolescente limpando uma pichação feita no ‘Bebedouro’, monumento histórico de Passo Fundo, viralizou nas redes sociais na última semana. O fato chamou a atenção de quem passava na esquina da Rua Bento Gonçalves com a General Canabarro.
Comerciantes relataram que há algum tempo o Bebedouro, local que serviu como descanso para os tropeiros e tropas que por ali passavam, recebeu uma pintura nova feita por equipes da Prefeitura, porém o local foi vandalizado. Após isso, populares fotografaram a mãe e seu filho, que estaria envolvido no ato de vandalismo, limpando o monumento. Com escovas, balde e sabão eles limparam as pichações. O gesto da mulher chamou atenção.
Neste sentido, o Sem Segredo do último sábado (25) perguntou: por que mais gente não faz como essa mãe? Participaram do programa os professores Douglas Peretto e Roberto Sander, além da secretária municipal de Cultura, Miriê Tedesco.
A maioria dos ouvintes parabenizou a atitude da mãe e declarou que se todas as pessoas tivessem a atitude dela, o mundo seria um lugar melhor. Alguns também elogiaram o jovem, por ter se arrependido do erro e tentado melhorar. Os ouvintes afirmaram que, se todos os pais corrigissem os erros de seus filhos, evitariam mais casos de vandalismo em Passo Fundo e outras regiões do país.
O professor Douglas Peretto relatou que o exemplo arrasta e se a criança ou adolescente não vê pai e mãe tendo atitudes corretas, não terá exemplos para seguir e não saberá o que é certo ou errado. Conforme o professor, crianças e adolescentes precisam enxergar seus responsáveis fazendo o que é certo, não só neste caso da pichação, mas em muitos outros exemplos. Peretto também afirmou que seriedade e firmeza não quer dizer agressão, como muitos pensam. É preciso ensinar fazendo o que é certo e com atitudes corretas, assim como a mãe deste caso de Passo Fundo fez.
A secretária de Cultura, Miriê Tedesco, relatou que o próprio filho contou à mãe que tinha vandalizado o local. Após isso, a mãe mostrou para ele a gravidade do que tinha sido feito, então o jovem pediu se limpar a pintura poderia reparar seu erro. Segundo Miriê, os dois então combinaram de ir no outro dia realizar a limpeza, mas o filho fez questão de limpar tudo sozinho. Conforme a secretária, a mãe afirmou que limpar o monumento foi uma correção do que havia sido feito de errado e não um castigo. Miriê afirma que essa atitude mostrou que educação também é ensinar e mostrar o significado das coisas.
Segundo o professor Roberto Sander, o reconhecimento do erro pelo próprio jovem é uma atitude notória. Porém, também afirma que este caso deixa claro que a população precisa reconhecer mais a singularidade histórica dos patrimônios que são muitas vezes depredados. Conforme o professor, isso ajudará com que como este sejam evitados. De acordo com Sander, quando um patrimônio público é depredado, fica presente um desconhecimento do simbolismo histórico dele. Neste ponto, segundo o professor, é preciso desenvolver ações que façam com que passo-fundenses reconheçam seus monumentos, valorizem eles e assim não existam mais casos de violência contra nossa própria história e memória.