Sem Segredo: ouvintes ficam divididos sobre as Federações Partidárias
Uma das novidades da eleição deste ano é a Federação Partidária, através da qual os partidos se reúnem para disputar o pleito. A possibilidade de os partidos se unirem em federações foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.
Segundo a lei, esse tipo de aliança deve ser feito em nível nacional e as siglas devem permanecer unidas por, pelo menos, quatro anos. A união dos partidos em federações permite que os partidos compartilhem acesso ao fundo partidário e o tempo de televisão para fins de propaganda eleitoral. Até o momento, nenhuma federação partidária foi oficializada no Brasil.
Neste sentido, o Sem Segredo do último sábado (05) abordou o assunto e perguntou: você sabe o que é uma Federação Partidária? Participaram do programa o ex-deputado estadual Juliano Roso, o vereador Leandro Rosso e o eleitoralista Lucas Lazzari.
A maioria dos ouvintes ainda tem dúvidas sobre o que é uma Federação Partidária e esclareceu o assunto com os convidados do programa. Alguns deles relataram que a Federação pode ser uma forma de fundo partidário para arrecadar mais dinheiro às siglas. Outros, no entanto, afirmaram que é preciso diminuir o número de partidos no Brasil e a Federação vem para tentar fazer isso.
O eleitoralista Lucas Lazari explicou que a Federação Partidária não é uma espécie de coligação, mas sim uma união temporária entre dois ou mais partidos que, por um período mínimo de quatro anos, vão atuar como se fossem um único partido. Ou seja, os partidos que estiverem compondo uma Federação estarão obrigatoriamente coligados na eleição nacional, nas 27 eleições estaduais deste ano e em todas as eleições municipais de 2024. Além disso, as bancadas de deputados que serão eleitos em 2022 atuarão no parlamento como uma única bancada e terão direito a apenas um único líder na sua estrutura.
Na prática, Lazari afirma que os partidos mesmo fundindo-se manterão suas identidades e os candidatos poderão usar seus números tradicionais de legendas. Os partidos também poderão, ao final dos quatro anos, separar-se da Federação, porém, no período que estiver vigente, atuarão como um só.
O ex-deputado Juliano Roso declarou que, se as federações vingarem e acontecerem, ajudarão na governabilidade do Brasil. Conforme Roso, em um curto espaço de tempo o Brasil terá cinco ou seis federações em todos os campos, como Centro, Esquerda ou Direita.
O ex-deputado entende que as federações são novas e trazem dúvidas, mas com o passar do tempo vão consolidar-se. Também destacou que elas diminuirão o número de partidos, agrupando-os em um só, com mais alianças de campo político e alinhamento de ideias do que por interesses eleitorais.
O vereador Leandro Rosso declarou ser contra Federações Partidárias e considera as coligações um modo mais justo de fazer união na política. Rosso justifica que as coligações proporcionam novas lideranças e dão espaço para um embate político mais democrático.
O vereador também afirmou que as federações ainda tem muitas questões a serem resolvidas e que todos foram surpreendidos com a aprovação pelo Congresso Nacional. Agora, conforme Rosso, o que resta aos partidos é adaptar-se a este novo formato.