Historiador passo-fundense não acredita que tensão na Ucrânia resultará em uma guerra
Segundo a imprensa mundial, a Rússia está a um passo de invadir a Ucrânia e os Estados Unidos já sinalizaram que não vão tolerar. Isso faz com que o mundo fique receoso com a possibilidade de uma nova guerra, envolvendo principalmente os europeus, mas podendo gerar impactos globais.
Falando sobre o assunto na Uirapuru, o doutor em história da Universidade de Passo Fundo (UPF), Dr. Adelar Heinsfeld, explicou que, embora este conflito seja regional, está inserido no que especialistas chamam de “tabuleiro geopolítico mundial”. Conforme ele, o objetivo da Rússia é retomar o protagonismo que teve durante o período soviético.
A partir do desmantelamento da União Soviética, a Rússia perdeu muito em protagonismo mundial e, ao mesmo tempo, os Estados Unidos estão tentando garantir seu protagonismo, que está em decadência. Segundo Heinsfeld, esse grande tabuleiro geopolítico é o que faz o mundo ficar preocupado, isso porque a história da Ucrânia está intimamente ligada a Rússia ao longo do tempo. Agora, principalmente com o presidente russo Vladimir Putin querendo assumir uma posição de liderança mundial, a Ucrânia acaba virando apenas uma espécie de peça chave.
O que está em jogo, segundo o doutor, é a questão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos e que ameaça a segurança russa. Segundo ele, a Rússia quer que a Ucrânia não faça mais parte da OTAN e, se eles abrirem mão de estarem na organização, a questão será resolvida. Heinsfeld também destaca que existe toda uma guerra de informação atualmente no mundo e não sabemos o que de fato está ocorrendo na Ucrânia. Conforme ele, ninguém sabe se de fato há um interesse da Rússia invadir a Ucrânia ou se é apenas uma suposta pressão norte-americana.
Por isso, o historiador não acredita em uma possibilidade de guerra no momento e acha que é muito mais uma forma de pressão política para que os demais membros da OTAN abram mão de querer levar a Ucrânia ao grupo. Outros países da Europa, como a Alemanha, por exemplo, até agora não se posicionaram sobre o assunto, o que reforça a ideia, já que o país depende grandemente do gás natural que vem da Rússia e também seria prejudicado por uma possível guerra.
Sobre os impactos econômicos que um conflito concreto entre os dois países causaria, Heinsfeld revela que a Rússia é a terceira maior produtora de petróleo do mundo e com uma possível guerra o preço mundial do produto subiria muito, atingindo o Brasil e, consequentemente, até mesmo Passo Fundo. O doutor em história também lembra que a Rússia é grande importadora de produtos do agro brasileiro.
Em contrapartida, o Brasil importa do território russo muitos produtos que também tem a ver com o agronegócio, como insumos agrícolas. Por esse motivo, pelo comércio bilateral Brasil e Rússia ser significativo, em um contexto de conflito ou guerra o nosso país seria muito afetado.