Homem que atropelou e matou ciclista vai responder por homicídio de trânsito
Na noite da última quarta-feira (9) após quatro meses lutando pela vida, faleceu em Passo Fundo o ciclista Edson Luiz Pelisser, 53 anos. Edson, que também era dentista atuante na FASURGS, foi atropelado no dia 20 de setembro de 2021, na ERS 153, entre Passo Fundo e Ernestina, enquanto andava com sua bicicleta na companhia de um amigo. Desde então Edson estava internado no HSVP, onde passou mais de 140 dias hospitalizado, vindo a falecer. No dia do fato, Edson e o amigo Márcio Haetinger , foram atingidos por uma GM Montana de cor vermelha, que não parou. A caminhonete foi localizada abandonada ás margens da rodovia, em uma lavoura, horas depois. No dia posterior ao atropelamento o motorista que estava conduzindo a caminhonete se apresentou para a Polícia Civil de Passo Fundo.
Na ocasião, em entrevista na Uirapuru, a delegada titular da DHPP, Daniela de Oliveira Minetto, explicou que o motorista tem 32 anos, é morador de Soledade, mas natural de Passo Fundo. Ele foi identificado como sendo o Rafael Annoni de Mesquita. O homem não poderia dirigir por ter a carteira de habilitação cassada. Ele alegou em depoimento que não sabe explicar por qual motivo atingiu os dois ciclistas. Negou embriaguez e disse que estava vindo a Passo Fundo a trabalho, mesmo sendo feriado. O motorista trabalha como autônomo. Disse também que teria acionado o socorro após a colisão. Na ocasião homem foi então ouvido e liberado. Após foi instaurado inquérito por lesão corporal, omissão de socorro e fuga do local. Porém, agora a vítima não está mais apenas lesionada, mas infelizmente veio a óbito.
Sobre esta alteração a Uirapuru conversou com a delegada titular da DHPP, Daniela de Oliveira Minetto, que atualizou os fatos. Conforme a delegada, o processo seguiu desde o dia do fato e se aguardava a recuperação da vítima para conclusão, que infelizmente faleceu. Agora a situação é tratada como homicídio de trânsito. Com o advento da morte de Edson, o caso muda para homicídio culposo de trânsito, podendo ser concluído como homicídio de dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar. A delegada explicou ainda que, se for homicídio eventual é um crime previsto pelo código penal e não de trânsito.
Após este inquérito será remetido ao Ministério Público. Questionada sobre a prisão do causador do acidente e posterior morte, a delegada explicou que no momento não há qualquer embasamento que determine isso. Frisou que existe um clamor popular, mas não se pode passar por cima das leis. O responsável vai sim responder pelos seus atos, mas no momento sem prisão. A delegada finalizou que nunca se deve fugir do local de um acidente, seja com morte ou ferimentos. Ninguém é preso pelo simples acidente. Isso porque é preciso dar a este causador a chance de socorrer o ferido. No entanto, fugir, somente agrava a situação.
Ao longo de todo o dia de ontem (10) amigos se despediram do dentista e professor Edson Pelisser em cerimônia no Memorial Vera Cruz e o corpo foi cremado ás 19h. A Uirapuru acompanhou a despedida do atleta, profissional, pai e amigo. A esposa de Edson, Noilves Pelisser, disse que conviveu por 35 anos com o marido e o que mais marcou nisso foi a intensidade com que ele fazia tudo, seja o esporte, a profissão de dentista ou a docência ao ajudar os alunos. Noilves disse que todos querem a justiça, que se cumpra a lei e que se tire pessoas sem responsabilidade de circulação. O sentimento que fica, conforme ela, é de justiça para que outras famílias não passem o sofrimento que ela e a filha tiveram por todos estes meses.