Presidente da CNM diz que reposição salarial aos professores está ocorrendo, mas 33% imediato é inviável
O Presidente Bolsonaro anunciou nesta semana um reajuste para o piso nacional dos professores em 33%, o maior da história para uma classe que historicamente sofre com defasagem. No entanto, tão logo esse anúncio de novo piso nacional foi feito, prefeitos e gestores públicos se pronunciaram dizendo ser contra.
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) emitiu nota na quinta-feira (27) em que orienta os prefeitos a não concederem o reajuste de 33,24% no piso salarial dos professores da educação básica . Tão logo essa notícia chegou ao público, muitos questionaram na programação da Uirapuru qual o motivo para negar isso aos professores? Não tem como realocar recursos dos municípios? Será que as cidades têm um exército de professores que representa um impacto dessa magnitude? Enxugar outras áreas não é a solução? Há momentos em que até se tem dificuldade de contratar professores devido o desinteresse na profissão? Sobre o assunto a Uirapuru conversou com o Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios- CNM.
Paulo explicou que a confederação, de nenhuma forma, é contra a valorização dos professores. No entanto, este aumento gera um impacto muito grande para as contas públicas, tratando-se de algo brusco e inesperado nesta proporção. Conforme ele, esta questão de reajustes teve início em 2007 a criação do FUNDEB, regulando uma emenda constitucional prevendo a criação do piso nacional do magistério. Paulo disse que, naquele ano, a Confederação debateu muito a criação do piso, índices de correção e bases. Houve uma mobilização dos professores naquela época, pedindo que o aumento fosse balizado pela média do custo aluno das séries iniciais do ensino./Isso foi aprovado na época. Isso, aliado a outras questões, levaram o piso a ser elevado em 206% no período de 2008 a 2020. No mesmo período a inflação foi de 110% e o salário mínimo teve aumento de 137%, perfazendo assim um aumento real de quase 60% aos professores no período.
Paulo Ziulkoski disse que a CNM está recomendando não seguir esse indicativo do governo Federal, pois o impacto será amplo, atingindo todos os profissionais ligados à educação, criando assim uma situação que vai se arrastar por anos e atingindo diretamente a lei de responsabilidade de gastos. Paulo finalizou reiterando que é preciso valorizar a educação, mas reforçou que isso está sendo feito ano após ano. Para Paulo, é fácil ao Governo Federal propor um valor de reajuste, sendo que a conta fica para os municípios.