Dia Nacional de combate à Intolerância Religiosa é essencial para conscientizar a população
Nesta sexta-feira, 21 de janeiro, é celebrado em todo o país o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”. No Brasil, o dia é instituído através da Lei Federal nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, criada em alusão a morte da baiana Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda, fundadora do terreiro de candomblé Ilê Asé Abassá.
Ela teve a sua casa e seu terreiro invadidos por um grupo de outra religião, e foi acusada de charlatanismo. Mãe Gilda e o marido foram perseguidos, sofreram várias agressões físicas e verbais e depredações dentro do espaço religioso. Após o ocorrido teve um infarto fulminante e morreu.
Falando na Uirapuru, o líder e representando dos movimentos negros de Passo Fundo, Ipácio Carolino, destacou que a data é muito importante para lembrar todos que isso está na construção do Brasil e o Estado brasileiro era intolerante e também perseguia as religiões no passado. Principalmente as de matriz africana. Mesmo depois que foi levantada essa proibição a perseguição continuou com a omissão do Estado em combater a intolerância religiosa. Somente após a constituição de 1988 é que a religião passou a ter o devido amparo legal, sendo inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.
Portanto, é necessário que isso seja lembrado e esclarecido para todos, pois na sociedade ainda temos casos de preconceito e perseguição, até mesmo em Passo Fundo. Na cidade, por exemplo, tramita na justiça um caso em que pessoas espalharam sal grosso na frente de um local onde se cultuava uma determinada religião de matriz e origem africana. Ipácio, lembrou que vivemos em um país onde qualquer um é livre para ter a religião que quiser e devemos respeitar isso.
Em entrevista na Rádio Uirapuru, Dom Rodolfo Luís Weber, Arcebispo de Passo Fundo, falou em nome da Igreja Católica sobre a posição da religião que é uma com mais fiéis dentro da sociedade. Conforme ele, existe dentro da igreja de um modo geral e com sede no Vaticano em Roma, dois departamentos que cuidam especificamente dessa questão e oficialmente o catolicismo determina que toda pessoa tem liberdade religiosa, crendo ou não crendo, aderindo a grupos religiosos ou não.
A igreja acredita no princípio da liberdade religiosa e defende com todas as letras isso. Essa visão está formalizada de uma forma mais explícita em documentos pontifícios.