Transplante de coração de porco em humano mostra como a medicina evoluiu nos últimos anos
Um homem de 57 anos com doença cardíaca e passando por risco de morte recebeu um coração de um porco geneticamente modificado nos Estados Unidos. Este foi o primeiro transplante bem-sucedido de coração de porco em um ser humano. A operação de oito horas ocorreu na sexta-feira (07) e o paciente passa bem.
Em entrevista na Uirapuru, o cardiologista, Dr. Luiz Sérgio Fragomeni, contou que esta questão dos chamados transplantes interespécies não é nova e já foi tentado há alguns anos, com órgãos como pulmão e também coração.
O primeiro caso registrado foi em 1967, quando a medicina notou que a falta de órgãos viraria um problema internacional, porque existem muito mais pacientes que precisam de transplantes do que órgãos disponíveis. Por isso, rins de chimpanzés foram transplantados em humanos naquela época. Mais tarde, em 1983, um coração de babuíno foi transplantado em um bebê, que morreu 20 dias depois.
Fragomeni destaca que a diferença do transplante de 2022 para os outros que ocorreram no passado é o grande conhecimento genético que a medicina e a ciência adquiriram nos últimos anos. Conforme o cardiologista, os médicos editam geneticamente o animal, alteram seus órgãos e então transplantam na pessoa.
Ele ressalta que a parte técnica, não apenas física, além da questão celular, mostra o quanto a medicina evoluiu nos últimos tempos. Fragomeni destaca que hoje existe toda uma capacidade de realizar transformações genéticas nos animais para que o organismo do homem não rejeite o órgão de forma agressiva.
O médico alerta que estes transplantes ainda poderão gerar problemas e talvez leve muito tempo para fazer esse tipo de cirurgia de forma regular. No entanto, o que a medicina precisava fazer é justamente o que ocorreu nos Estados Unidos: trazer a possibilidade de, em um futuro a médio ou longo prazo, o caminho dos transplantes virar de fato interespécies e gerar órgãos para quem precisa.