Sem Segredo: para maioria dos ouvintes, mulheres devem ser livres para escolher a maternidade
Cada vez mais as mulheres estão desistindo da maternidade ou simplesmente colocando em prática a vontade de não ter filhos. Segundo uma pesquisa de 2020, 37% das mulheres no Brasil não querem ser mães, mesmo com a pressão cultural e social de que a ideia de feminilidade está relacionada a maternidade.
Ainda, conforme dados de uma pesquisa global realizada pela farmacêutica Bayer, com apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e do Think about Needs in Contraception (TANCO), este índice chega a 72% no mundo todo.
Neste sentido, o Sem Segredo do último sábado (08) abordou o assunto e perguntou: cada vez mais as mulheres decidem não ser mães. Elas dizem não a maternidade! Nos dias de hoje, isso é certo ou errado?
Participaram do programa a psicóloga, servidora municipal e professora universitária, Eliana Sardi Bortolon, e a professora e pastora Aline Roos.
A maioria dos ouvintes acha certo a mulher não querer ser mãe e dizer não a maternidade. Muitos afirmaram ser difícil criar um filho nos dias atuais, em um mundo cada vez mais perigoso e com muitas doenças. Os ouvintes acham que as mulheres devem ser livres para poder escolher se querem ser mãe ou não. Também destacaram que é preciso saber ser mãe, não apenas colocar uma criança no mundo e abandoná-la.
A psicóloga Eliana Sardi Bortolon disse que não vivemos novos tempos, mas que agora as mulheres conseguem expressar mais a sua vontade. Conforme ela, o mundo sempre teve mulheres que desejam ou não a maternidade, mas agora isso pode ser dito com menos julgamentos. De acordo com Eliana, nem todas as mulheres têm esse desejo e elas devem ter sempre a possibilidade de fazer suas próprias escolhas.
A psicóloga lembra que maternidade não é a única função de uma mulher na sociedade e cuidar de uma criança não é responsabilidade exclusiva do sexo feminino. Eliana ressalta que, independente da decisão da mulher, ela precisa ser respeitada e uma mulher que não quer ter filhos não pode ser crucificada ou julgada pela sociedade.
A pastora Aline Roos explicou que, dentro do princípio bíblico, sempre foi desejo de Deus que o ser humano possa gerar vidas, mas essa é uma decisão individual de cada pessoa, assim como abrir uma empresa ou seguir uma profissão, dentre outras decisões importantes de uma mulher.
Conforme Aline, a maternidade é uma decisão que precisa levar tempo para ser decidida e, independente da escolha, precisa ser respeitada. Ela lembra que a maternidade é um projeto divino, mas não uma obrigatoriedade.