Linguagem neutra de gênero é modismo e não vai se perpetuar, diz professor Ironi Andrade
A linguagem usada como comunicação entre os seres humanos mudou muito na medida que a humanidade evoluiu. Partindo de sons, inicialmente entendidos apenas pelos seus próximos, logo ganhou representações através de desenhos e depois, de forma mais elaborada, pelas letras. Ainda que exista mais de um alfabeto e várias línguas, a composição das letras forma as palavras, que são a imagem, a representação do som. Cada língua tem suas regras, que também podem sofrer alterações. No mundo todo são oito países que falam a língua portuguesa, no entanto, há diferenças dentro dela, especialmente entre o Brasil e Portugal. No Brasil, a língua portuguesa já passou por reformas em 1943, 1971 e 1990, enquanto em Portugal houve alterações em 1911, 1920, 1931, 1945 e 1973. Na última reforma de 90 o acordo ortográfico acabou entrando em vigor somente em 2016, pois o governo alegava necessidade de atualização.
Passado este último acordo, em tempos de internet, surgiu a linguagem neutra de gênero, ou, linguagem inclusiva. Tal linguagem é diferente da padrão e visa não tratar de termos masculinos e femininos, deixando a chamada palavra neutra. No entanto, essa neutralidade cria uma palavra diferente e nunca antes vista. Um exemplo é a palavra todos, que se refere a homem, mulher, mas que indica o masculino. Na chamada linguagem inclusiva adota-se “tod@s” ou “todes”. O assunto foi debatido no programa Emoção, Afeto e Comportamento, apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer e Vinícius Brammer, na última terça-feira na Uirapuru.
O convidado foi o professor e referência em língua portuguesa no Estado, Ironi Andrade. Criador de um sistema inovador para cursos de língua portuguesa, o professor Ironi tem em seu portfólio o setor privado, milhares de vestibulandos e participa há décadas do cenário linguístico. Questionado sobre sua visão da linguagem de gênero ou inclusiva, o professor Ironi foi direto e classificou isso como bobagem modismo e algo que não vai se perpetuar. O professor foi além e explicou que sempre foi contra a reforma ortográfica por que ela faz as pessoas esquecerem o que aprenderam e beneficia um grupo muito distinto. Explicou que, quando uma reforma ocorre, livros ficam desatualizados e todas as obras precisam ser reimpressas, trazendo impactos e não vantagens para a população.