Sem Segredo: impunidade contribui para o aumento do vandalismo em Passo Fundo
Nas últimas semanas Passo Fundo registrou diversos casos de vandalismo nos espaços públicos da cidade. Praças e monumentos históricos da cidade foram devastados por criminosos que roubam placas e artefatos de bronze para comercializar e por outros que estragam por simples prazer. Além de estragar o patrimônio que é de todos, os vândalos acabam danificando pontos históricos da cidade, onde há muita dificuldade de repor os elementos que são retirados dos espaços públicos.
No caso da Praça da Mãe Preta, onde a imagem da Mãe Preta foi furtada, a prefeitura de Passo Fundo não possui mais o molde para refazer a imagem e colocar uma nova no local. Esse é só um exemplo, de tantos outros monumentos e elementos históricos que foram confeccionados há muito tempo e que atualmente não existe mais quem confeccione novamente.
Diante disso, o programa Sem Segredo do último sábado (27) discutiu o tema e perguntou: monumentos públicos sendo depredados: o que leva alguém a estragar o que é de todos? E como evitar? De acordo com a arquiteta Ana Paula Wickert, o reconhecimento do patrimônio histórico e público vem sendo tema de debate há muitos anos. Para a arquiteta é necessário que as pessoas entendam a importância das áreas públicas, valorizem e auxiliem a preservar os espaços.
Conforme Ana Paula, o isolamento social afastou as pessoas dos espaços públicos e isso pode ter facilitado a ação de vândalos, uma vez que os locais estavam menos frequentados. A arquiteta acredita que quando os espaços não são das pessoas e de responsabilidade delas, elas não cuidam e acabam permitindo ações como essas.
De acordo com o psiquiatra Érico Hecktheuer, é comum que esse tipo de depredação e destruição seja causado por jovens que querem demonstrar insatisfação, rebeldia ou desafiar as leis e as autoridade. Conforme o psiquiatra atitudes como essa são frequentes nesta idade. Hecktheuer acredita que o vandalismo segue tão presente no nosso país, estado e município em função da impunidade. Dificilmente, na visão do psiquiatra, alguém que pratica vandalismo é punido e isso acaba influenciando para que outros também pratiquem o crime.
Para os ouvintes, o vandalismo está tão presente nas ruas da cidade porque quem estraga as coisas nunca é punido. A prefeitura acaba concertando os espaços que são vandalizados e fica por isso. A maioria dos ouvintes que participaram do programa defendem que quem estragar algum monumento precisa pagar o estrago e ser punido para servir de exemplo para os demais que pensam em fazer o mesmo.