Safra de 2018 deve ser uma das maiores da história
Segundo o 5º Levantamento da Safra de Grãos 2017/2018, divulgado no início de fevereiro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos da safra 2017/2018 pode chegar a 225,6 milhões de toneladas. Mesmo com recuo de 5,1% em relação à safra passada, que foi a maior de toda a história (237,7 milhões de t), a safra deste ano deve ficar em segundo lugar em relação à série histórica.
Com crescimento de mais de 0,2%, a área total ultrapassou os 61 milhões de hectares. Entre as culturas, a preferência do produtor segue pelo milho e a soja que representam quase 88% dos grãos produzidos no país. No caso da soja, houve queda de 2,2% na produção, ficando em 111,6 milhões de toneladas ante 114,1 milhões/t do último período. Já para o milho total, a expectativa é de redução de 10,1%, passando de 97,8 milhões para 88 milhões de toneladas. A primeira safra pode ficar em 24,7 milhões de t, enquanto a do milho segunda safra revela possível produção de até 63,3 milhões de toneladas.
“A safra ainda é grande e o importante é a área plantada. O dinamismo continua na agricultura e a redução sobre o último levantamento é insignificante. Vamos colher uma safra muito grande, largamente suficiente para abastecer o mercado interno”, comenta o secretário substituto de Política Agrícola do Mapa, Sávio Pereira. Ele acrescentou haver estoques folgados de milho, de arroz. E observou que o país continuará a exportar os recordes de grãos como tem acontecido nos anos anteriores.
O estudo mostra ainda que o cenário mais favorável é o do algodão, com aumento de 17% na produção da pluma, totalizando 1,79 milhão de toneladas e 1,1 milhão de hectares, com elevação de 17,4% na área. Este aumento, junto com o da soja, favoreceu a ampliação da área total plantada. Com maior liquidez e possibilidade de melhor rentabilidade frente a outras culturas, a leguminosa tende a elevar-se a uma média de 3,3%, podendo alcançar 35 milhões de hectares.
No quesito produtividade, a soja aponta para queda estimada em de 3.185 kg/hectare ante 3.364 da safra anterior. Uma vez que as culturas estão ainda em fase inicial de colheita, os números divulgados têm como base os rendimentos apurados nas pesquisas de campo com o acompanhamento agrometeoroló- gico e espectral realizado pela companhia. A pesquisa foi feita nos principais centros produtores de grãos no país, entre os dias 21 e 27 de janeiro.
Comportamento na região
“Apesar de um início conturbado, a soja, carro chefe da economia do estado e do país, deverá ter uma grande safra. A expectativa é de que o aumento de 4,3% da área plantada no Brasil se converta em uma produção 1,2% maior em relação à temporada anterior”. A afirmação é do corretor de grãos da New Agro Commodoties, Bruno Nascimento.
De acordo com ele, a consultoria Safras & Mercado estima que o volume em toneladas deverá ser de 115,6 milhões em nível nacional. “No estado, o clima seco e de altas temperaturas no Sul acabaram motivando perdas projetadas em 11% até o momento. A região representa 18% da produção total. Porém, o prejuízo deverá ser compensado pela boa produtividade do Norte, que representando 82% da safra e segue com as lavouras em ótimas condições. Existe a expectativa de que a produção por hectare na região fique acima da média histórica. A Emater/ RS projeta produção de 16,8 milhões de toneladas no estado”.
Entretanto, ele acredita que é válido salientar que neste ano a comercialização até o momento no Brasil está em 34%. Isso, porque a queda nos preços acabou desagradando os vendedores, que optaram por trabalhar no aguardo por cotações mais atrativas. No ano passado, nesta mesma época, 40% da safra já estava vendida.