No Sem Segredo, maioria dos ouvintes acredita que Páscoa passou a ser mais uma data comercial
Ontem foi comemorado a Páscoa, data em que os católicos celebraram a ressurreição de Jesus Cristo. Ela encerra a Semana Santa, que é a última da Quaresma, período de recolhimento, jejum e abstinência. Para o cristianismo, especialmente a Igreja Católica, esse período é de renovação e renascimento. Mas, ao longo dos anos a Páscoa foi se transformando também em uma data comercial. Foi no século (18) XVIII que foram lançados os primeiros ovos de chocolate e a cultura de dar doces e presentes.
A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes para o comércio, principalmente, para os supermercados e lojas especializadas em chocolate. Ela movimenta ainda a indústria, que começa a contratar nos meses anteriores à comemoração. Hoje o Brasil é o segundo no ranking de países produtores de ovos de chocolate, superado apenas pela Inglaterra. Com isso, muitas pessoas lembram mais da Páscoa pelos chocolates do que pelo sentido religioso.
Tema do Sem Segredo de sábado, o assunto trouxe o debate entorno das práticas religiosas durante a Quaresma. A maioria dos ouvintes acredita que os valores religiosos se perderam ao longo dos tempos. Muitos consideram que a evolução tecnológica ocorrida nos últimos anos, afastaram as pessoas do mundo espiritual e as aproximaram das coisas materiais e garantem que a Páscoa hoje se tornou mais uma data comercial.
Participando do programa, o padre Leandro de Mello, da Igreja São Francisco de Assis, revelou que para o catolicismo, os rituais, momento de reflexão da Páscoa, é de extrema importância. Mas o padre defende que a manutenção da cultura entorno da data depende também do interesse por parte das famílias, de passarem para as gerações atuais os costumes e valores da Páscoa, para que assim a transmissão da fé não se perca com o passar dos anos.
Por outro lado, o presidente da Sociedade Espírita, Paulo Eberhardt, disse a religião espírita tem uma visão diferente. Conforme ele, não há uma materialização das situações nem ritos a serem seguidos, como não comer carne vermelha na sexta-feira santa, por exemplo. Eberhardt afirma que o verdadeiro sentido da data, na visão espírita, está na valorização dos valores morais de cada um e na prática da caridade.