“As próximas Jornadas precisarão dialogar com o novo contexto que vivemos”, destaca coordenador
As Jornadas Literárias surgiram em 1981, há quatro décadas. Nasceram de uma conversa informal entre um grande escritor, Josué Guimarães, e uma importante professora da UPF, Tânia Rösing. Essa conversa deu origem a um movimento que se tornaria Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul e que mudaria Passo Fundo.
Através das Jornadas, o município foi colocado no mapa nacional da cultura e elevado à condição de Capital Nacional da Literatura e Capital Estadual da Literatura.
Toda esta história foi resgatada na abertura da programação em comemoração aos 40 anos das Jornadas, realizada nesta semana de maneira on-line, com a presença de autoridades locais, estaduais e nacionais.
Em entrevista na Uirapuru, um dos coordenadores das Jornadas Literárias e professor da UPF, Dr. Miguel Rettenmaier, contou que as Jornadas sempre tiveram ideia de uma movimentação cultural, não sendo consideradas como evento. De acordo com ele, isso foi influenciado pela professora Tânia Rösing, que sempre defendeu a ideia de que a formação dos leitores deve se dar com projetos de encaminhamento permanentes, como os 40 anos das jornadas.
No entanto, tendo em vista o contexto distinto dos últimos anos, Dr. Miguel Rettenmaier afirma que em 2021 decidiram admitir a palavra evento, porque o que está acontecendo atualmente é uma comemoração às quatro décadas da maior movimentação cultural de formação leitora da América Latina.
Por esse motivo, os eventos atuais não foram numerados, nem colocados como nova edição das jornadas. São apenas encontros com autores que fizeram parte das movimentações culturais e o interesse de homenagear a Jornada Nacional da Literatura, trazendo debates e presença virtual de seus leitores.
A intenção do evento, segundo o coordenador, é tematizar aspectos que fazem parte do histórico da jornada e de alguma maneira contemplar a multiplicidade que gira em linguagens temáticas, associando leitura e cultura.
Para as próximas edições, Dr. Miguel Rettenmaier afirma que serão pensadas novas formas de fazer o evento, incluindo o mundo digital. De acordo com ele, já está sendo discutido há algum tempo a relação da jornada com uma construção virtual, mas sem perder a essência do movimento cultural, que é justamente a aglomeração festiva, a aproximação e debates sobre arte, leitura e cultura em um grande espaço.
Como as Jornadas Literárias sempre dialogaram com a realidade e mudaram tantas vezes, Rettenmaier afirma que, neste momento, é preciso repensar e incluir contato a distância nas edições futuras. Para ele, a jornada vai precisar dialogar com o novo contexto, mas sem abandonar seu elemento de essência, que é o calor humano, buscando uma fórmula com cuidado e responsabilidade para fazer as próximas edições da jornada.
A programação especial dos 40 anos da Jornada Nacional de Literatura segue hoje (28) com encontros virtuais. As lives são realizadas no canal do YouTube da UPF Online.
Às 19h20 ocorre a abertura das transmissões, com o tema “Jornada: memória lida”. Das 19h30min às 20h30min será a vez do encontro “Vozes e pertencimento: a literatura tem?”, com Elisa Lucinda, Ferréz e mediação de Francisco Fianco.
Para encerrar a programação, o tema da transmissão será “Leitores livres, seres (in)comuns”, das 20h30min às 21h30min, com Ricardo Azevedo, Maria Esther Maciel e mediação de Gerson Trombetta.