Altas cargas tributárias dificultam empreendedorismo no país, aponta empresário
As altas cargas tributárias do Brasil impactam não somente as empresas e os empreendedores, mas também a comunidade, que acaba pagando mais caro por itens necessários ao seu dia a dia, como alimentação, vestuário e medicamentos. Entre os países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil possui a 23ª maior carga tributária. Quando se fala em tributação sobre bens de consumo, o país ocupa a 2ª colocação. Para se ter uma ideia, a carga tributária média sobre os medicamentos, no mundo, é de 6,3%, já no Brasil os tributos representam, em média, 32% do preço desses itens básicos à saúde humana.
Participando do programa Repórter do Povo da última sexta-feira (8), o presidente da Rede de Farmácias São João, Pedro Henrique Brair, explicou que a empresa é uma entidade que pertence à sociedade e as ações do gestor podem impactar de forma benéfica ou maléfica na sociedade na qual ela está inserida. Frisou que a responsabilidade é muito grande, por isso é preciso apontar quando a carga tributária é excessiva porque ela desestimula as pessoas a empreenderem. Disse que a forma mais correta para o país crescer não é aumentando impostos, mas sim empregos e como consequência renda.
O coordenador jurídico da Rede de Farmácias São João, Sérgio Ferraz, explicou que hoje o grande empresário tem que ser muito corajoso para empreender no Brasil. A carga tributária que incide na folha de pagamento é alta e gira entorno de 63%. Além disso, ele tem que lidar com inúmeras situações decorrentes da própria relação de trabalho – empresa e empregado, como cotas de menor aprendiz e PCD. Ferraz reafirmou que é preciso de muita vontade para ter um negócio no país porque as empresas são obrigadas a cumprir determinadas leis, mas muitas delas são difíceis de serem realizadas.
O gestor tributário da Rede de Farmácias São João, André Menegazzo, ressaltou que além de arcar com a alta carga tributária, o empresário ainda precisa suportar as inseguranças da legislação com suas constantes mudanças. Nos últimos cinco anos, o Rio Grande do Sul alterou 558 vezes a legislação referente ao ICMS, principal tributo estadual. No ranking do Banco Mundial sobre a facilidade de fazer negócios, o Brasil ocupa a 125ª posição, entre 190 nações analisadas. Menegazzo destacou que esses dados demonstram como é difícil empreender, que é preciso trabalhar com muito propósito.