Crise de gigante empresa chinesa não deve impactar setor imobiliário local, destaca economista
A crise da gigante da construção civil chinesa, Evergrande, está assustando o mercado financeiro nos últimos dias. O medo é que a empresa, que acumula grandes empréstimos, não consiga pagar suas dívidas e assim arraste bancos e outros setores. A Evergrande assina projetos de construção em cerca 280 cidades, no entanto, se não conseguir pagar suas dívidas, poderá desencadear grandes impactos, até mesmo a nível mundial.
Em entrevista na Uirapuru, o professor de economia da UPF, Julcemar Zilli, disse que a possível falência da gigante chinesa pode causar dois efeitos econômicos, sendo um deles de forma direta, ligado às empresas que fornecem algum tipo de matéria prima, como minério de ferro, principalmente.
Isso porque as empresas brasileiras deixariam de exportar, já que a gigante chinesa não conseguiria dar continuidade a todos os seus projetos arquitetônicos desenvolvidos na China, gerando um efeito negativo, com menores exportações e produtos estocados. Isso faria com que diminuísse os lucros de empresas brasileiras que exportam e são listadas na Bolsa de Valores. Outro efeito que a crise da Evergrande pode causar é indireto e em sistema de manada.
Conforme Zilli, quando uma empresa listada entre as 500 maiores do mundo corre risco de encerrar suas atividades, como é o caso da Evergrande, vários bancos e instituições financeiras que emprestaram dinheiro sofrem junto. Logo, não receberão seus créditos, fazendo com que o valor das ações de todas as empresas acabe caindo, alastrando um problema para o mundo todo.
Porém, o economista Julcemar Zilli ressalta que o caso da gigante chinesa é um fato isolado para a economia mundial e não deve acontecer algo semelhante no Brasil. Isso porque a empresa tem até quinta-feira (23) para pagar parcelas da sua dívida e, se não conseguir, ainda existe a chance do governo chinês entrar no caso.
O professor destaca que o único efeito negativo que pode atingir o Brasil seria um possível aumento do dólar. Ele também ressaltou que o volume de empréstimos para o setor imobiliário no Brasil se mantém em patamares aceitáveis desde 2015, mostrando que a situação da Evergrande é específica e não deve impactar nosso setor imobiliário neste momento.