Diretor do Sport Clube Gaúcho vê com bons olhos lei que permite clubes se tornarem empresas
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou a lei que estabelece regras para transformação de times de futebol em empresas, criando a SAF (Sociedade Anônima do Futebol). O texto passou pelo Senado em junho e pela Câmara dos Deputados em julho. A transformação dos clubes em empresas tem como objetivos atrair mais investidores e garantir maior transparência na gestão. Há também a expectativa de que exista um melhor gerenciamento de dívidas, especialmente as que possuem um caráter social, como as trabalhistas.
Segundo a proposta, a Sociedade Anônima do Futebol cuidará do futebol masculino e do feminino, excluindo a possibilidade de outros esportes tentarem o mesmo caminho, assim como entidades, como a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
O diretor jurídico do Sport Clube Gaúcho, Flávio Benvegnu, vê com bons olhos essa nova possibilidade. Conforme ele, uma das maiores dificuldades do futebol do interior é a captação de receitas. Com essa lei, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, os clubes podem deixar de ser associações sem fins lucrativos e poderão ter acionistas, ter lucro, receber recursos e ter investidores. Além disso, o clube-empresa tem como objetivo a formação de atletas profissionais, e a partir disso, o clube poderá obter receitas com a negociação dos direitos esportivos dos jogadores, permitindo uma exploração econômica de ativos e até imobiliários. Dessa maneira, os clubes dependeriam menos de patrocínio de empresas, podendo crescer de forma mais rápida.
Sobre a possibilidade de recuperação judicial para clubes que estão endividados, o diretor ressalta que a medida também é importante. De acordo com Benvegnu, os clube do interior do estado possuem muitas dívidas e dificuldades financeiras. As questões trabalhistas também atrapalham bastante as finanças das equipes. Essa lei, separa as questões civis, das trabalhistas, além de possibilitar a recuperação judicial.
Conforme o diretor jurídico do Gaúcho, a lei poderá ser utilizada por todos os clubes do Brasil, uma vez que não determina tamanho, local ou tempo de atividade para utilizá-la. No entanto, Benvegnu destaca que o Gaúcho é um clube que vem sendo muito bem administrado e atualmente não possui débitos e está saudável financeiramente. Sobre a possibilidade de o Gaúcho se transformar em um clube-empresa no futuro, o diretor ressalta que nada pode ser totalmente descartado, no entanto essa é uma decisão que precisaria ser tomada com muita responsabilidade e discussão dentro do clube.