CPFL Energia vence o leilão de privatização da CEEE-T
A CPFL Energia venceu, na manhã desta sexta-feira (16), o leilão de privatização do controle da Companhia Estadual Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-T). O certame foi na sede da B3, em São Paulo, e transmitido pelas redes sociais do governo do Estado e pela TV B3.
A CPFL Energia apresentou proposta de R$ 2,67 bilhões, com ágio de 57,13%. O valor inicial estabelecido era de R$ 1,7 bilhão. Seis empresas apresentaram propostas, das quais três foram qualificadas: CPFL Energia, Companhia Técnica de Comercialização de Energia e MEZ Energia. Em uma disputa acirrada, a CPFL superou a última proposta da Companhia Técnica de Comercialização de Energia, de R$ 2,66 bilhões, que tinha ágio de 56,54%.
Para que consigamos ter um ambiente mais propício ao investimento privado, além de voltar nossas atenções para aquilo que é nossa responsabilidade, é importante reconhecer que o setor privado tem maior capacidade de eficiência na administração daquilo que talvez no passado tenha feito sentido. A operação com o ganho de eficiência próprio do setor privado vem em proveito de toda a sociedade, com melhores serviços, com menores preços, e esse ganho de eficiência reverte em melhores oportunidades de emprego”, celebrou o governador Eduardo Leite.
Leite destacou que a decisão de privatizar empresas públicas, como a CEEE, a Sulgás e a Companhia Riograndense de Mineração (CRM), além da privatização da Companhia de Saneamento (Corsan) e das concessões de rodovias e parques estaduais, não ocorre buscando a injeção de recursos no caixa do Estado.
É porque temos a firme convicção de que os investimentos privados nesses setores vão animar a nossa economia com bilhões de reais que vão transformar a infraestrutura do Estado e a capacidade de acoplar as novas tecnologias e de inovar, diante de uma realidade de ruptura que a tecnologia proporciona na economia. Essa inovação não consegue ser rapidamente incorporada no serviço público, mas no setor privado, sim. Então, apostamos nessa parceria, dando capacidade ao RS, que é própria do nosso Estado, de empreender”, destacou o governador.
A CEEE-T tem como controladora a Companhia Estadual de Energia Elétrica Participações (CEEE-PAR). No segmento de transmissão, tem 56 subestações, que somam potência instalada própria de 10,5 mil MVA, e opera outras 18 unidades. A empresa também é responsável pela operação e manutenção de 6 mil quilômetros de linhas de transmissão e mais de 15,7 mil estruturas.
O presidente da CPFL Energia, Gustavo Estrella, se mostrou entusiasmado com a aquisição.
A CPFL já tem uma longa história de parceria com o RS. Aumentamos ainda mais nossa parceria, e nosso compromisso com o Estado. Nosso plano para a companhia não tem mágica: é competência e muito investimento. Contamos muito com a parceria do Estado, no qual a CPFL já está presente. Podem esperar muito esforço, dedicação e paixão no que fazemos”, destacou.
A alienação foi realizada por meio de lote único de 6.381.908 ações nominativas, sem valor nominal, de emissão da CEEE-T, de propriedade da CEEE-Par, representativas de 66% do capital social total da CEEE-T. O restante pertence à Eletrobras.
O segmento de transmissão de energia é o segundo braço do Grupo CEEE a ser privatizado, após a conclusão da venda da CEEE Distribuidora (CEEE-D), no fim de março. O edital do segmento de geração de energia, a CEEE-G, deve ser lançado nos próximos meses.
Hoje é um dia de aplauso e de agradecimento. Há cinco anos, poucas pessoas imaginaram que hoje estaríamos aqui vendendo esse ativo, mas conseguimos. A venda da CEEE começou há alguns anos, em uma tomada de consciência, por parte do governo, de que era melhor transferir a empresa para o setor privado. Também começou com o desenvolvimento de regras muito propícias do setor de energia pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e porque temos uma economia de mercado e um mercado de capital pujante”, disse o diretor-presidente do Grupo CEEE, Marco Soligo.
O número de interessados que acessou o data room, o número de proponentes e o perfil das seis empresas que apresentaram proposta demonstra como a CEEE-T é um ativo atrativo, com grande potencial para crescer, na visão do mercado.
O povo gaúcho, com certeza, cada vez confia mais no seu Estado. Cada vez confia mais no seu governo, porque tem recebido aquilo que deve ser entregue à população: trabalho e esperança de que mais se tenha condições de viver, e viver bem, no nosso Estado, com muita energia. Ainda temos muito para alcançar, mas estamos no rumo certo, e continuaremos trabalhando, não apenas com as privatizações, mas com tudo aquilo que ainda precisa ser feito”, disse o secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Luiz Henrique Viana.
Em audiência pública no começo de abril, o diretor-presidente do Grupo CEEE detalhou que, para que a companhia não se torne inviável, seria preciso investir. Esse é um dos principais motivos pelos quais se faz necessária a desestatização da empresa.
Entre os benefícios da troca de controle da CEEE-T, estão a melhoria da confiabilidade do sistema elétrico para o Estado e o Brasil, o potencial promissor de crescimento com geração de emprego e renda e a maior agilidade nas contratações e execução de novos empreendimentos.
O governador Eduardo Leite representa o resgate do passado do Rio Grande do Sul. Foi preciso uma liderança jovem para resgatar o passado para começar as reformas tão necessárias para o Estado se modernizar. Essas privatizações são o símbolo da transformação que o governador está promovendo no RS. Muitas pessoas acreditaram nesse projeto, trabalharam insistentemente, e saúdo todos que fizeram isso acontecer”, destacou o secretário extraordinário de Parcerias, Leonardo Busatto.
Os estudos, a modelagem da privatização e a avaliação da companhia foram coordenados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O RS é uma peça importante na nossa agenda de transformação do Estado brasileiro. Mais que uma transformação, é uma evolução, pois é uma mudança de foco. A sociedade vai mudando e entendendo que o Estado existe para servir à população, tendo o foco no consumidor e no pagador de impostos”, disse o diretor de concessões e privatizações do BNDES, Fábio Abrahão.
O secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos Júnior, o procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gabriel Souza, e o líder do governo na Assembleia, deputado Frederico Antunes, também estiveram no leilão, além de deputados estaduais.
Histórico do processo de privatização
A desestatização da companhia foi iniciada em janeiro de 2019, com a elaboração das propostas legislativas necessárias. Em maio do mesmo ano, a Assembleia Legislativa aprovou a retirada da obrigatoriedade de plebiscito para a venda da empresa e, em julho, autorizou a privatização das empresas do Grupo CEEE.
Para a elaboração dos estudos e da modelagem do projeto de privatização, o governo do Estado firmou contrato com o BNDES.
A execução dos serviços, por sua vez, foi feita pela empresa Ernst & Young Global e pelo consórcio Minuano Energia, composto pelas empresas Machado Meyer, Thymos Energia e Banco Genial. O leilão da CEEE-D, comprada pelo Grupo Equatorial, ocorreu em março de 2021. O grupo assumiu a gestão da CEEE-D na quarta-feira (14).
CPFL Energia
A CPFL Energia é uma empresa de energia completa, com negócios em distribuição, geração, comercialização de energia elétrica e serviços. É considerada uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro, levando energia a 9,9 milhões de clientes. Está entre as líderes no segmento de energias renováveis no Brasil com uma matriz diversificada, com atuação em fontes hidrelétricas, solar, eólica e biomassa.
A CPFL atende 687 municípios na área de concessão e tem 14% de participação no mercado nacional de distribuição, a segunda maior do país. Na distribuição, atua nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais.