Estudantes do Notre Dame reúnem-se virtualmente com o escritor Michel Laub
Palavra a palavra, os adolescentes matriculados na 1ª Série do Ensino Médio do Colégio Notre Dame empreenderam uma inusitada viagem pela memória de um homem que, deparando-se com a escolha que mudará a sua vida, vasculha o passado em busca de respostas para perguntas tão banais quanto complexas.
Submergindo na prosa que oscila entre a violência e o lirismo; a ironia e a neutralidade, os estudantes foram, então, impelidos a refletir sobre temas como identidade, afeto e perda. Além disso, “Diário da Queda” lhes possibilitou a análise crítica do texto literário e a ampliação do repertório linguístico. Afinal, orientados pelo docente de Língua Portuguesa, William Dahmer, eles estudaram minuciosamente a obra escrita por Michel Laub.
Primeiramente, os jovens do Notre Dame debruçaram-se sobre as capas de diferentes edições do livro. Desse modo, observaram como os mais diversos elementos artísticos e gráficos foram empregados para representar o romance publicado no Brasil e no exterior.
Em seguida, dedicaram-se a analisar os capítulos que compõem a primeira parte da narrativa. Para tanto, reuniram-se em grupos, nos quais cada integrante desempenharia uma função: o conector com a vida real deveria relacionar trechos com situações do contexto histórico; o conector com textos literários, por sua vez, exploraria o diálogo entre a obra e outros enredos; o ilustrador estava incumbido da tarefa de sintetizar, por meio de um desenho, uma cena relevante para a trama; o sumarizador estava encarregado de resumir o trecho a poucas palavras; o mestre do vocabulário deveria selecionar os termos de difícil compreensão, contextualizando o seu uso e sentido a partir de excertos do próprio romance; o líder da discussão, por fim, elaboraria os questionamentos que seriam feitos aos demais colegas, após a socialização do estudo empreendido coletivamente.
Na sequência, os adolescentes responderam a seis questões referentes à segunda parte de “Diário da Queda” e foram desafiados a inspirar-se no livro para idealizar uma produção audiovisual ou para elaborar um texto poético.
Finalmente, a profunda imersão na narrativa culminou com o diálogo travado entre os educandos e o escritor Michel Laub – uma iniciativa que, conforme o educador responsável por promover o encontro, corrobora a nova perspectiva dos jovens acerca da Literatura.
Muitas vezes, eles percebem o texto literário somente como um objeto construído há séculos, por escritores inacessíveis. Ao permitir tal contato, então, rompe-se com essa concepção”, frisa William, reiterando o valor de estimular a leitura de obras que, a exemplo do título em questão, aproximam-se temporalmente dos leitores.
Realizado por meio de plataforma digital, o bate-papo oportunizou que diferentes olhares acerca do enredo fossem compartilhados. E isso, conforme menciona Dahmer, é capaz de admirar até quem imaginou a trama.
Ao ser questionado sobre o uso de um objeto, por exemplo, Michel Laub não escondeu a sua surpresa ao perceber que esse pequeno detalhe chamou a atenção dos estudantes”, descreve o docente.
Além de curiosidades relativas ao romance e ao processo criativo do autor, os leitores ainda explicitaram inquietações suscitadas pelos assuntos que perpassam a narrativa e foram presenteados com preciosas sugestões literárias. Dessa forma, impeliram o educador a exaltar o seu comprometimento com a proposta pedagógica.
A participação dos estudantes do Notre Dame foi excelente! Desde o início, eles prestaram muita atenção ao livro. E, por fim, questionaram com segurança o escritor da narrativa lida”, celebra William.