Reflexos da baixa do dólar vão demorar para chegar ao consumidor final, avalia economista
O dólar fechou nesta sexta-feira (25) em R$ 4,96. Em menos de 30 dias a moeda norte-americana teve baixa de quase R$ 1,00. Por outro lado, a inflação (aumento do nível geral de preços da economia) vem apresentado indícios de alta. Sempre que o dólar sofre alta vemos os reflexos no aumento do valor de produtos do dia a dia, mas agora com a baixa será que teremos reflexos também? A Uirapuru conversou com o economista, Julcemar Zilli, que explicou que os reflexos dessa queda devem demorar pra chegar ao consumidor final.
Zilli, explicou que os indícios de alta na inflação tem diversos fatores, um deles a própria pandemia. Zilli lembra que há mais de 1 ano boa parte da população está com as demandas concentradas nos produtos de primeira necessidade. Conforme a pandemia vai diminuindo, as pessoas vão voltar a consumir como antes da pandemia e isso pressiona a demanda agregada, ou seja, tem mais pessoas querendo comprar bens e serviços. Porém como não tem para todos, devido a falta de matéria-prima, isso faz com que o preço se eleve, a chamada inflação.
Em relação ao dólar, o economista explica que a redução da moeda é explicada pelo aumento da taxa de juros, a melhora dos índices da economia brasileira, além disso a evolução da vacinação, quanto mais rápido a população mundial for vacinada mais a economia voltará a reagir para voltar ao que estava.
Segundo o economista, as previsões apontam que o dólar deve ficar na casa dos R$4,60 a R$ 5,10. Porém isso não deve impactar a curto prazo, pois a queda do câmbio não está resultando na queda do preço do produto importado. Zilli ressalta, no entanto, que quando as importações começarem a ser feitas ai sim vamos começar a ver a farinha de trigo entrar no Brasil mais barata, por exemplo. Desta forma o preço do pão e da massa devem ficar mais baratos.
Na medida que o preço do produto importado entra no mercado brasileiro mais barato, isso pressiona os concorrentes a baixarem os preços. Portanto, outro efeito seria visto: a redução da inflação. Mas isso é de médio a longo prazo, Zilli explica que em média 7 meses para mais.