Médico avalia os riscos das novas variantes da covid-19 circulando no Brasil
Recentemente o infectologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Hallal, fez uma análise interessante sobre a covid-19 e o comportamento das variantes do vírus. De acordo com ele, as contaminações recentes em Passo Fundo tem predomínio da variante P1., surgida em Manaus.
Nos últimos dias começaram a ser registrados também pacientes com a variante indiana, o que pode se espalhar pelo país também. Sobre o assunto, a Uirapuru conversou com o médico Júlio Stobbe. Conforme o médico, a pandemia se assemelha a um sistema de informática, onde ela vai recebendo atualizações com o surgimento de novas variantes.
Essas variantes tem trazido uma preocupação muito grande, pois desde que o coronavírus surgiu, em dezembro de 2019, já foram documentadas mais de 1,7 mil cepas novas do Sars-Cov-2, 90 delas somente no Brasil. Dessas, as que trazem mais preocupação são as variantes do Reino Unido, da África e a de Manaus.
Um estudo mostra que 90% dos casos registrados de março para cá no Rio Grande do Sul, são causados pela P1. A partir disso pôde-se perceber que ela era mais agressiva e que atinge pessoas mais jovens, levando essas pessoas a complicações que antes não era comum.
A preocupação agora é com a variante indiana, que Stobbe acredita já estar presente em quase todos os estados brasileiros, pois não há restrições de circulação dentro do país. A apreensão é grande, sendo que essa nova cepa é ainda mais agressiva que a de Manaus.
De acordo com Stobbe, a vacinação só vai diminuir a contaminação no país quando 70% da população estiver imunizada, no entanto a demora para a aplicação das vacinas preocupa. Conforme o médico, com poucas pessoas imunizadas o vírus pode realizar o chamado “escape imunológico” e criar uma variante que escape do sistema imune e contaminem pessoas que já estejam vacinadas. Por isso é importante um empenho dos governantes do mundo todo.