Sem Segredo: ouvintes apontam oferta de empregos como solução para moradores de rua
Passo Fundo é um polo em saúde e de desenvolvimento, movimentando toda a região. No entanto, nos últimos dias têm se notado um aumento no número de moradores de rua nas praças e outros locais. O problema é antigo e já foi debatido diversas vezes na Uirapuru. Políticas públicas locais já foram realizadas e Passo Fundo tem dois espaços importantes para acolher quem está de passagem e não deixar nas ruas: o albergue municipal e o Centro Pop.
Conforme a Secretaria de Cidadania e Assistência Social, os moradores de rua são abordados e convidados a passarem pelo atendimento local, mas a maioria prefere ficar nas ruas, praças ou girando e se abrigando no centro durante a noite. O assunto foi abordado no programa Sem Segredo, na Uirapuru, no último sábado.
O programa foi apresentado por Luciano Azevedo e contou com a participação de Marcus Pires da Semcas e o presidente da Acisa, Cássio Gonçalves. Debatendo também com a comunidade, o programa mostrou todos os lados que levam a este problema.
Ouvintes relataram problemas familiares e principalmente os vícios como pano de fundo para a entrada no mundo das ruas. Para o presidente da Acisa, Cássio Gonçalves, é preciso políticas para fomentar o emprego, a oportunidade. É necessário oferecer oportunidades diferentes, que tragam dignidade e independência e não algo que incentive estas pessoas a ficarem nas ruas. Cássio lembrou que estas oportunidades de emprego surgem com o fortalecimento dos empreendedores e atividades comerciais.
Marcus Pires, que coordena as equipes de abordagem da Semcas, trouxe um dado em que Passo Fundo tem hoje 57 pessoas vivendo nas ruas da parte central da cidade. Existem ainda os imigrantes, que estão também nas ruas e vivendo de doações.
Ele destacou que muitos dos abordados nas ruas não querem sair de lá porque simplesmente não aceitam pequenas regras de comportamento. É oferecido abrigo, banho e ajuda psicológica e contra vícios, mas todo este esforço enfrenta a resistência da maior parte destas pessoas. Mesmo assim a avaliação de Pires é que o trabalho obteve progresso nos últimos anos.
Para os ouvintes é preciso agir em duas frentes: oferecer sim oportunidades, ajuda social e todo o necessário, mas também é preciso agir internando de forma compulsória quem já não tem mais condições de decidir pela sua vida, seja pelo vício ou outro problema que afeta a mente.