Grupo quer implementar o Plano Duas Safras no RS para incentivar o cultivo de trigo e outros cereais
Um grupo formado por representantes do setor Agro e de indústrias do setor que implementar o chamado Plano Duas Safras no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, para incentivar o cultivo de trigo, triticale, cevada, centeio, canola e aveia no inverno como alternativa ao milho na composição da ração para aves e suínos.
Conforme o ex-presidente e atual conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o restante do Brasil se encaminha para colher três safras por ano, no entanto, o Rio Grande do Sul colhe apenas 1,1 safra.
De acordo com Turra, apesar de produzir 72% do milho nacional, RS e SC precisam importar até 5 milhões de toneladas por ano para alimentar suínos e aves, já que 80% da ração dessas cadeias é composta por milho e farelo de soja. Além disso, durante o inverno, cerca de cinco milhões de hectares de terra fica ociosos, sem nenhuma cultura.
Como a safra de milho no sul vem de duas quebras consecutivas causadas pelo clima, há um aumento de demanda no mundo e o Brasil se tornou um grande exportador do produto, já não sobram grãos a preços competitivos para compor a ração de frangos e aves que fornecem a proteína animal mais barata. Por isso, o grupo estuda alternativas para substituir o milho na alimentação dos animais, e a safra de inverno surge como algo interessante.
Um estudo da Embrapa está embasando o grupo, com estudos que demonstram que o Estado pode ganhar muito com mais uma safra no período de frio. Essa possibilidade poderia baratear o custo de produção de animais, por exemplo.
Conforme Turra, o cultivo do trigo não seria apenas para alimentar animais, mas também para ser utilizado na indústria e diminuir a quantidade de trigo importado. Em relação aos riscos da safra de inverno, Turra relata que os riscos sempre existem, mas os produtores tem acesso a seguros, que dão suporte para que o agricultor proteja a sua lavoura, caso o clima acabe atrapalhando.