Sem Segredo: ouvintes acreditam que é necessário endurecer medidas sanitárias para conter disseminação do coronavírus
A pandemia vive o pior momento desde março do ano passado e teve na última semana seus piores números em Passo Fundo.
Dados de domingo (28/02) somam 19.509 infectados, 116 em 24 horas. Além disso são 1.078 casos ativos, ou seja, pessoas que estão com o vírus neste momento. O total de óbitos causados pela doença em apenas passo-fundenses chegou a 287. São 59 pacientes intermados em leitos UTI e 107 em leitos clínicos, um total de 166 pacientes internados neste momento.
Os números preocupam cada vez mais e, por isso, o Sem Segredo do último sábado (27) retornou o tema para avaliar as medidas adotadas pelo Governo do Estado, que colocou todo o Rio Grande do Sul em bandeira preta por uma semana, sem sistema de cogestão, e perguntou: será que essas medidas são suficientes para controlar o aumento dos casos ou é preciso endurecer ainda mais as medidas sanitárias?
Participando do programa a médica intensivista coordenadora das UTIs Covid do HSVP, Dra. Sabrina Frighetto Henrich, relatou a situação que os hospitais estão em pleno colapso. As UTIs estão com mais de 100% de lotação e com fila de espera com mais 20 pacientes em toda a região. Não há mais onde colocar pacientes, ressalta Dra.
Ela disse que o perfil dos pacientes internados tem mudado, pessoas mais jovens e sem comorbidades estão chegando em estado grave nos hospitais. A Dra acredita que nos próximos dias a situação possa se agravar.
Ouça a entrevista com a coordenadora das UTIs Covid do HSVP, Dra. Sabrina Frighetto:
O ano iniciou e os números de casos de coronavírus cresceram. A secretária Municipal da Saúde, Dra. Cristine Pilati, relatou que nos últimos 15 dias a Secretaria percebeu a crescente nos números da Covid em Passo Fundo, ela acredita que a situação atual seja reflexo das férias de verão. Pois muitas aglomerações aconteceram nas primeiras semanas de janeiro.
O reflexo disso foi o atendimento nos Cais referência. Somente em fevereiro o Cais Petrópolis atendeu a 4.551 pessoas, uma média de 182 por dia. A secretária de Saúde disse que os pacientes tem procurado as unidades de referência nos primeiros sintomas, porém o que preocupa é a gravidade com que os pacientes chegam.
Ouça a entrevista com a secretária Municipal da Saúde, Dra. Cristine Pilati:
O diretor do Hospital de Clínicas, Dr. Juarez Dalvesco, também participou do programa. Ele relata que o HC vive o pior momento da pandemia. Em outras ocasiões a ocupação estava alta, mas nenhum deles comparado ao momento vivido hoje.
As autoridades tem que tomar atitudes conforme a evolução da doença e conforme o comportamento das pessoas. Dalvesco disse que são apenas três medidas (manter o distanciamento, usar máscara e lavar bem as mãos) solicitadas para a população que são fáceis e não exigem nada. Para o médico, é a educação da população que está em jogo.
Ouça a entrevista com o diretor do Hospital de Clínicas, Dr. Juarez Dalvesco:
Muitos ouvintes participaram do programa. A maioria se posicionou a favor do endurecimento das regras. Eles acreditam que o comércio não é o culpado da alta nos casos e internações, e isso causou revolta de alguns ouvintes. Alguns, inclusive mencionaram que as pessoas só aprendem com a dor.
Para eles os maiores culpados da situação estar como está é de pessoas que desrespeitam as normais sanitárias e fazem aglomerações. O preço desse desleixo é o colapso nos hospitais e pessoas morrendo.
Nas festas sempre cabe mais um, na UTI não.
Ouça a participação dos ouvintes: