Sem Segredo: auxílio emergencial foi importante, mas é preciso combater pagamento indevido
O programa Sem Segredo no último sábado discutiu a importância do auxílio emergencial. O Governo Federal ainda não sabe se vai editar uma nova versão do auxílio emergencial para 2021, por conta do teto de gastos. Na última semana o presidente Jair Bolsonaro declarou que prorrogar o benefício “quebraria o Brasil” e negou qualquer possibilidade de retomar os pagamentos. Porém, apenas um mês após o fim da última parcela do auxílio, as dificuldades voltaram a ser rotina na vida de muitas famílias brasileiras, principalmente no Nordeste, onde diversos são os relatos de dificuldades. A situação divide opiniões, pois de um lado existe a necessidade urgente da população e do outro as contas do governo federal.
O assunto foi tema do programa Sem Segredo, no último sábado na Uirapuru. O programa perguntou aos ouvintes: você acha que o governo deve continuar pagando o auxílio emergencial? O que é mais importante? Manter o teto de gastos ou distribuir auxílio para quem precisa?. Participaram do programa o secretário municipal da Secretaria de Cidadania e Assistência Social, Saul Spinelli, e o economista Vitor Dalla Corte. O Sem Segredo contou com a apresentação da jornalista Zulmara Colussi. Os ouvintes destacaram que os auxílios são importantes, mas infelizmente há uma parcela de beneficiários que não precisam, mas recebem, gerando gastos desnecessários. Para os ouvintes esta prática precisa ser combatida de forma urgente.
O secretário Saul Spinelli destacou que o Bolsa Família, semelhante ao auxílio emergencial, movimenta a economia da cidade há muito tempo, alimentando os pequenos supermercados de bairro, gerando impostos e empregos. Revelou dados municipais referentes ao cadastro único, porta de entrada para o Bolsa Família, um importante instrumento de auxílio financeiro. Em janeiro de 2019 4.578 pessoas em Passo Fundo receberam o Bolsa Família, num universo de 200 mil habitantes. Em janeiro de 2020 o número de beneficiados diminuiu para 4.213 e, no mesmo ano, em novembro de 2020, este número aumentou para 5.883 pessoas recebendo o Bolsa Família. Isso mostra que a pandemia trouxe um reflexo nas necessidades da população.
Saul destacou que os números mostram que existem coisas a serem corrigidas, mas não da forma como as pessoas imaginam, evidenciando que é uma pequena parcela da população local que recebe o benefício na cidade. Saul frisou ainda que o auxílio social em tempos de pandemia não é exclusividade do Brasil e foi colocado para minimizar o impacto na economia durante a pandemia. Este dinheiro aquece a economia porque é gasto em necessidades e o que precisa ser feito é uma análise criteriosa para quem recebe e não o corte geral de tudo.
O economista Vitor Dalla Corte disse que o desafio de qualquer política pública é pagar para quem realmente precisa./O economista vê como positiva a continuidade de algum tipo de auxílio. Porém, é preciso qualificar a distribuição desta renda./Em sua avaliação Dalla Corte o auxílio emergencial teve grande colaboração para minimizar o impacto na economia através do consumo. Por outro lado a pandemia trouxe um crescimento também da poupança e este dinheiro está represado fora da economia. Neste contexto é importante fomentar o movimento da renda e o auxílio emergencial e bolsa família cumprem este papel.