Expointer 2018: pesquisadora alerta para risco de transmissão de doenças e não recomenda consumo da carne de javali
Uma pesquisa realizada pela pesquisadora e biomédica Fabiana Mayer, do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), afirma que os javalis apresentam chance transmissão de tuberculose animal.
Em uma amostragem com 80 animais, 24% apresentaram a bactéria da tuberculose em javalis de vida livre, ou, selvagens, que também é transmissor da leptospirose.
Uma palestra sobre este assunto foi realizada na tarde da última segunda-feira, dia 27 no auditório da Administração Central do Parque de Exposições Assis Brasil. A pesquisa, foi desenvolvida durante dois anos na fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro. Os javalis de vida livre são caçados em áreas de preservação ambiental permanente.
A Pesquisadora Fabiana Mayer contou que o animal não é nativo do Brasil, pois foram trazidos da Europa e da Ásia para criação em cativeiro. Isso ocorreu para aproveitar a carne do animal, ainda no século XVI por colonizadores. Ninguém sabe exatamente como eles escaparam do cativeiro e foram para a natureza e acharam um ambiente favorável para se reproduzir. O javali se reproduz até 3x por ano e pode ter 10 leitões por cria, se tem condições favoráveis, que são encontradas no estado.
A pesquisadora contou que eles causam prejuízo econômico para a agricultura por depredação de lavoura e para a pecuária, principalmente de ovinos, pois eles comem os animais. A caça deste animal é permitida por lei, mas o consumo da carne não é recomendada porque ela não é certificada como livre de doenças.
Não é indicado dar as vísceras dos animais aos cães justamente pela carne ter chance de ser contaminada. E não se deve entrar em contato direto com a carcaça. Ao manipulá-la deve-se usar luvas. Em Portugal e Espanha já existem estudos que afirmam que os javalis tem ligação com infecção de bovinos, mas aqui ainda não há uma comprovação.