Sem Segredo: ouvintes ressaltam importância de valorizar pessoas em vida
Mágoa, brigas e indiferença são sentimentos comuns nas relações das pessoas. Mas quando alguém morre, muitas vezes vem o arrependimento de ter ou não ter feito mais por aquele ente querido que não está mais neste lado da vida.
Às vésperas do Dia de Finados, o programa Sem Segredo provocou uma reflexão: você acha que as pessoas só dão valor depois que perdem alguém para a morte?
Participaram do programa a psicóloga e professa da UPF, Ciomara Benincá, o espírita Carlos Bicca e a jornalista da Plataforma Desvendando a Morte, Kassiê Carvalho.
Falar sobre morte tem como principal característica o fato de estar falando de uma não experiência e, segundo a psicóloga Ciomara Benincá, não sabemos o que é a morte e por isso criamos teorias sobre ela. Por não termos certeza do que realmente vai acontecer, lidamos com a incerteza e o desconhecido é sempre assustador.
Ciomara explicou que, quando falamos de morte, nos referimos diretamente a perda, porque a morte sempre estará relacionada a perdas muito significativas. Ciomara destaca que a pandemia nos mostrou o quanto somos vulneráveis e impermanentes e, por isso, nos aproximou da morte.
A morte é enfrentada por muitos como uma etapa natural da vida e muitos ouvintes destacaram isso. Também, eles disseram não ter medo da morte e destacaram que o mais importante é valorizar as pessoas em vida e fazer o bem, pois dessa vida não se leva nada.
O espírita Carlos Bicca lembrou que a fé é indispensável para compreender essa etapa da vida. Seria incompreensível temer a morte, dado que ela é nossa única certeza desde o nascimento.
Falar sobre a morte é um tabu. Ela dispara os nossos medos e quando temos alguns receios, como, por exemplo, de água, altura ou escuro, nos afastamos e esquecemos o medo. A morte, porém, é inafastável.
Bica destaca que no espiritismo a temática acontece de uma forma diferente. Para os espíritas, a crença mostra que a morte não existe. Para eles, ao demostrar as experiências e depoimentos de pessoas que morreram e com os quais é possível fazer contato, a vida sobrevive além desse momento que é o corpo físico. Para outras pessoas, porém, a explicação do espiritismo é mais uma forma de consolo para enfrentar a morte.
Todos um dia vão enfrentar uma situação de morte e saber como funciona o processo burocrático que envolve enterro, cerimonia e afins. A jornalista, Kassiê Carvalho, destaca que uma pesquisa comprovou que são mais de 70 decisões que as pessoas precisam tomar frente a um óbito. Para auxilia-las nesse momento de luto, a jornalista criou a Plataforma Desvendando a Morte. Dentro da plataforma as pessoas encontram curiosidade e informações precisas e importantes sobre os processos burocráticos da morte.