Candidatura “raiz” deve mudar formação da Câmara de Vereadores
As novas regras eleitorais, que passam a valer no pleito municipal deste ano, não alteraram as coligações partidárias na majoritária, ou seja, para prefeito e vice-prefeito.
Neste caso, o candidato a prefeito pode ser de um partido e o vice de outro, apoiados por outros tantos partidos. Porém, no caso da eleição proporcional, ou seja, para vereadores, é que aparece a grande mudança, já que a lei não permite mais as coligações. Desta forma, as candidaturas para o parlamento municipal vêm sendo chamadas de candidaturas “raiz”.
Essa novidade na campanha deste ano com certeza provocará uma certa dança nas cadeiras do nosso legislativo, onde partidos mais tradicionais, com maior número de filiados e apoiadores, deverão ocupar a maioria das 21 vagas a vereador. Por outro lado, os partidos menores, recentemente formados, e ainda sem uma tradição eleitoral, terão grandes dificuldades para atingirem o quociente eleitoral, que se trata de um número mínimo de votos que cada partido deve obter com seus candidatos para conquistar uma cadeira.
Em 2016, quando 119.412 eleitores votaram para vereador em Passo Fundo, do total de 142.329 eleitores, portanto, uma abstenção de 16,10%, o quociente eleitoral foi de 5.600 votos. Isso significa que a cada 5.600 votos uma coligação ou partido conquistava uma cadeira no parlamento. Esse número se obtêm da divisão do total de votos válidos, pelo número de vagas. No caso de Passo Fundo em 2016, se dividiu os 119 mil votos pelas 21 cadeiras de vereador à disposição.
Distribuição em 2016
Há 4 anos, encerrada a eleição, quando as coligações ainda eram possíveis, e com 22 partidos apresentando candidatos, o parlamento ficou assim constituído:
- Coligação PSB/PPS (4 do PSB e 1 do PPS);
- Coligação DEMOCRATAS/PSDB (2 do DEM e 2 do PSDB);
- Coligação PP/PDT/PR (1 do PP e 2 do PDT);
- Coligação PTB/PTC (2 do PTB);
- Coligação PSD/REDE/PSC/PRB/SOLIDARIEDADE (1 do PSD, 1 do PRB e 1 do SD); PMDB sozinho elegeu 2; PCdoB também sozinho elegeu 2.
Recorde de Candidatos
Para esse ano, com candidaturas “raiz”, aumento de 3% no número de eleitores, enorme quantidade de candidatos a vereador, predomínio de campanhas virtuais acompanhadas pelas fake news, além de uma perspectiva que o número de abstenção deva aumentar, com 20 partidos apresentando candidatos a vereança e com sete partidos apresentando candidatos a prefeito, fica muito difícil fazer qualquer previsão sobre a composição do parlamento a partir de 2021.
Para esse ano, 339 candidatos estão na disputa das vagas. Na eleição de 2004 foram 181 candidatos. Já em 2008 foram 171. Em 2012, 252 candidatos disputaram as eleições e, em 2016 esse número foi de 274.
Distribuição das vagas
Mesmo assim, longe de ter uma assertividade e sem a petulância de se achar o “senhor da previsão”, a Rádio Uirapuru se arrisca em afirmar que no quociente eleitoral nesta eleição, girando em torno dos 5 mil votos, muitos partidos pequenos ou novos terão uma enorme dificuldade de elegerem vereador.
Se levarmos em conta os dados do último pleito, partidos como o Cidadania, Solidariedade, Republicanos, PL, Podemos, PSD, PSC, PSOL, PSTU e PV, não alcançariam sozinhos o quociente eleitoral, o que vai exigir destes e dos seus candidatos, uma campanha mais agressiva e efetiva nesta reta final.
Algo que pode favorecer um pouco esses partidos é o fato de que muitos conseguiram filiar grandes puxadores de votos que trocaram de sigla ao longo do último ano, somado ao fato de que outros grandes puxadores de voto não disputarão o pleito deste ano.
Utilizando-se de dados da última eleição e levando em consideração a previsão de 5 mil votos como quociente eleitoral, podemos prever que a câmara municipal poderá ter a seguinte formação de forma direta, sem levar em consideração a chamada sobra:
- PSB (3);
- DEM (1);
- PSDB (2);
- PCdoB (1);
- Progressista (1);
- PDT (1);
- MDB (2);
- PTB (1);
Totalizando 12 vagas nas mãos de 8 tradicionais partidos. As outras 9 vagas seriam distribuídas na chamada “sobra”, o que pode aumentar as conquistas dos partidos citados, como também pode beneficiar outros. Mas é claro que isso não passa de previsão com dados de 2016.
Surpresas
Na eleição atual, também temos que levar em consideração outros fatores, como é o caso do PT, que reforçou sua nominata e deve fazer bem mais votos que os míseros 4.072 de 2016, o que fez com que o partido ficasse sem representatividade.
Não podemos esquecer o PSC, considerado partido pequeno, mas que tem crescido muito a nível de Brasil e aqui em Passo Fundo concorre com majoritária nesta eleição. Outro fator é o PSL, que de partido pequeno se tornou no partido que elegeu em 2018 o presidente Jair Bolsonaro, e teve uma adesão muito grande de candidatos e eleitores bolsonaristas.
Enfim, tudo não passa de apostas imprecisas em uma eleição que deve ser marcada por ser imprevisível. Historicamente, nas eleições para a Câmara de Vereadores em Passo Fundo, já tivemos o domínio total dos grandes partidos, como também já tivemos grandes surpresas com as conquistas dos pequenos partidos. Tudo pode acontecer. As cartas foram lançadas. Que comece a etapa final do jogo eleitoral.