Sentimento de posse e machismo alimentam violência contra mulher
O caso do jogador Robinho, condenado por estupro na Itália recoloca o tema da violência contra a mulher e a cultura do estupro novamente em pauta. A sentença da Justiça Italiana condenou o jogador e um amigo, em primeira instância, a nove anos de prisão por violência sexual de grupo contra uma jovem albanesa. O jogador chegou a se manifestar sobre o assunto e disse que “infelizmente existe esse movimento feminista”, como se o movimento fosse culpado de sua condenação.
O assunto foi abordado dentro do programa Sem Segredo, na manhã do último sábado na Uirapuru. Participam do programa a delegada da Mulher, Rafaela Bier, a Dra. em Psicologia e professora do curso de Psicologia da IMED, Vanessa Ilha e a advogada Maiaja Freitas.
A delegada Rafaela Bier explicou que infelizmente o álcool muitas vezes está por trás da violência contra a mulher. A pandemia acentuou este problema em alguns momentos devido a maior convivência entre os companheiros. Disse que a cultura do estupro tem como pano de fundo a violência e o desprezo contra a mulher. Explicou que machismo prega a superioridade do homem frente a mulher. Já o feminismo prega unicamente a igualdade entre os dois. Neste contexto a lei precisa ser aplicada para garantir direitos e igualdades para as mulheres.
A advogada Maiaja Freitas explicou que não se pode nunca em colocar a culpa na vítima. Não se pode dizer que uma roupa incita o estupro. É preciso mudar este pensamento e a cultura, reorganizando algo que infelizmente está presente no dia a dia e fazendo vítimas.
A psicóloga Vanessa Ilha explicou que a mulher precisa se fortalecer para se ver livre dos abusadores. Este fortalecimento pode iniciar em um atendimento psicológico ou aconselhamento em serviço social municipal. A vítima precisa ser orientada para não ceder ás mais diferentes ameaças dos agressores. A psicóloga destacou que a mulher precisa descobrir que ela tem força.
Para os ouvintes a raiz da violência está justamente no machismo. É preciso acabar com o sentimento de que o homem precisa dominar, ter controle e posse para ser alguém de destaque. Enquanto essa cultura não for mudada a violência e o desprezo contra a mulher continuará. Para os ouvintes é preciso reagir, denunciar e pedir ajuda legal contra a violência.