Ansiedade em tempos de atividades não presenciais pauta nova formação dos professores municipais
Na última semana, professores da rede municipal passaram por mais um momento de formação. O objetivo foi falar sobre a ansiedade em tempos de atividades não presenciais.
A atividade, que aconteceu em ambiente virtual, integra Programa de Formação Continuada dos educadores. O trabalho, desenvolvido pela Secretaria de Educação, fomenta a reflexibilidade crítica dos professores diante da reconstrução constante do processo de ensino-aprendizagem, reafirmando a sua importância nesse contexto.
A coordenadora do Núcleo de Educação Especial, Simone Krabbe, enfatiza que a pandemia do coronavírus modificou a rotina de muitas pessoas, tornando imprescindível abordar a saúde mental. “De um momento para o outro, tivemos de nos adaptar e transformar nossa rotina. Mudanças no trabalho, nas relações, na economia, em nosso modo de vida. De fato, a pandemia de Covid-19 chegou nos demandando uma nova forma de viver, e essa abrupta mudança pode refletir diretamente também na saúde mental do professor”, destaca.
O psiquiatra e professor da Universidade de Passo Fundo (UPF) Cláudio Wagner, um dos palestrantes do encontro, explica o que é a ansiedade e como identificá-la. “A ansiedade é um mal estar, uma emoção desagradável, que é acompanhada por sintomas cognitivos, como pensamentos negativos e catastróficos, dificuldades de concentração; sintomas somáticos, como dor de cabeça, dor de estômago, diarreia, náuseas, tremores, palpitações; e também sintomas afetivos, como uma certa apreensão, um certo medo”, classifica.
Ele enfatiza que a ansiedade é uma sensação que acompanha o humano em inúmeras circunstâncias, sendo considerada normal quando é de curta duração e não traz prejuízos à sua vida. “A ansiedade é uma sensação de antecipação. É uma característica biológica dos seres humanos,uma forma de defesa do organismo frente a supostas ameaças. A ansiedade normal, geralmente, está relacionada a fatores externos, quando a gente tem algum problema, alguma situação para resolver”, descreve.
Todavia, segundo o especialista, é preciso estar atento para a ansiedade patológica, que necessita de acompanhamento profissional. “A ansiedade patológica causa um sofrimento psíquico, que acaba ocasionando prejuízos, porque a pessoa não vai conseguir se concentrar, fazer as suas tarefas, dar conta de todas as demandas que tem no dia a dia. Ela é multifatorial e está relacionada a componentes biológicos, genéticos e aspectos emocionais”, afirma.
O encontro também contou com a participação da psicóloga e professora da UPF Vanisa Viapiana e da psicopedagoga Marlei Morais.
Aliviar a ansiedade é possível
A coordenadora do Núcleo de Educação Especial, Simone Krabbe, comenta que a formação possibilitou uma análise do contexto difícil que estamos vivenciando e também uma reflexão sobre o lado positivo dessa nova experiência, reconhecendo o esforço dos professores e valorizando a saúde emocional como necessidade para a educação durante a pandemia. “Os professores estão desempenhando papel central na viabilização das atividades não presenciais e na criação de estratégias que mantenham o vínculo entre escola, família e estudantes durante a pandemia. Além de se desdobrar para aprender a lidar com as tecnologias, a repensar as formas de trabalho, enquanto lidam com questões pessoais em casa, cuidando da família, gerenciando uma nova rotina, e enfrentando perdas, incertezas e angústias”, menciona.
Conforme o psiquiatra e professor da Universidade de Passo Fundo Cláudio Wagner, “é normal estarmos ansiosos pela quarentena e por estarmos enfrentando um vírus desconhecido”. Para lidar com a ansiedade normal, o especialista dá algumas dicas, que são válidas não somente para os professores, alunos e pais, mas para todas as pessoas:
– Falar sobre a ansiedade
– Pedir ajuda;
– Mudar o foco dos pensamentos;
– Executar técnicas de relaxamento muscular, como exercícios e respiração;
– Limitar o tempo aplicado em casa nos estudos e no trabalho;
– Dar um tempo para atividades não estressantes, que variam de acordo com cada indivíduo.