Skip to content

Tradição

Dia do Gaúcho: povo que não tem virtude acaba por ser escravo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

“Organizadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) as comemorações da Revolução Farroupilha (a mais longa das revoltas civis brasileiras) colocam em pauta e relembram a Guerra dos Farrapos contra o Império iniciada no amanhecer do dia 20 de setembro de 1835.

Essa data e o fato que a produziu ficaram marcados profundamente na história dos sul-rio-grandenses e na alma dos gaúchos, pois o movimento que durou dez anos mostrou como pano de fundo os ideais liberais, federalistas e republicanos culminando com a proclamação da República Rio-Grandense, tendo como capital a cidade de Piratini.

Como não poderia ser diferente, muitos criticam tais festividades garantindo que o Rio Grande do Sul teria saído perdedor dessa revolta contra o poder central, com o que nada haveria para ser comemorado hoje em dia.

Esta, porém, não é opinião de quem afirma que no 20 de Setembro comemoramos efetivamente a bravura de um povo, ressaltamos os valores éticos que devem permear a sociedade, lembramos nosso passado de luta e reafirmamos com todas as letras que a liberdade é um dos maiores patrimônios do ser humano.

E recordam que já em 1935 foi elaborada nossa bandeira nas cores verde (representando matas e a pampa gaúchas), vermelha (simbolizando o ideal revolucionário e a coragem do povo) e amarela (representando as riquezas do território gaúcho) contendo três palavras que devem nortear nossas vidas: Liberdade, Igualdade, Humanidade.

Anualmente milhares de homens, mulheres, jovens e crianças de todos os municípios do Rio Grande, em todos os Estados brasileiros e vários países mundo a fora mostram o orgulho de cultuarem valores e tradições dos gaúchos participando de atos de civismo em praça pública, desfiles e no recinto dos Centros de Tradições Gaúchas – os CTGs. Claro que neste ano houve mudanças devido a pandemia, mas o cultuar de uma tradição também se faz com o coração e com sentimento.

Sobradas razões tem quem mostram que sãos aspectos éticos, cívicos, culturais, filosóficos, históricos que sustentam as comemorações do emblemático 20 de Setembro, a partir do qual um dos grandes fenômenos sociológicos do Planeta nasceu em nosso Estado e se espraiou Brasil a fora e no exterior na figura do CTG.

Se assim não fosse, como explicar a existência de mais de 1.680 CTGs em território sul-rio-grandense, de outros 1.300 em todos os recantos do Brasil e cerca de outros 20 no exterior? Tais números traduzem, com certeza, a paixão, a força, o carisma que as pessoas de diferentes regiões encontram na história e na cultura nascida entre nós.

Não seria apenas teimosia deixar de reconhecer que há algo extraordinário a ser visualizado por todos quando nos deparamos com um CTG, quando comemoramos o 20 de Setembro, quando lembramos da Revolução Farroupilha?

Como explicar que pessoas vindas de vários continentes – que agora podemos chamar de desgarrados – com língua, costumes, vestimentas, religiosidade, alimentos, danças, visão de mundo, musicalidade, cantoria, aspirações totalmente diferentes pudessem fazer uma síntese extraordinariamente nova e vigorosa como essa que podemos traduzir na palavra “gaúcho”?

Sim, gaúcho como habitante do Rio Grande do Sul.

O que moveu esses homens e essas mulheres na caminhada até encontrarem esse mínimo (ou máximo?) denominador comum de serem chamados, com orgulho de peões e prendas conscientes de que “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”?

Obviamente não somos perfeitos, também temos nossos defeitos, ainda devemos avançar em muitos quesitos importantes, mas, sim, temos o que comemorar, ou ao menos refletir sobre nosso passado para evitar os mesmos erros no futuro. Até porque, às duras penas, aprendemos que povo que não tem virtude acaba por ser escravo.”

*EDITORIAL DO JORNAL TROCA-TROCA DE 18 DE AGOSTO DE 2020