Aulas não presenciais são nova experiência para professores, alunos e pais em Passo Fundo
Neste mês, os alunos da rede municipal foram introduzidos em salas de aula virtuais. As telas de computadores e smartphones substituem o contato físico com colegas e professores e possibilitam uma nova experiência em um momento em que o distanciamento social é fundamental.
Desde que as aulas foram suspensas, há cinco meses, a educação tem enfrentado inúmeros desafios em todo o país. Enquanto pais ficam preocupados com a aprendizagem e o acompanhamento dos filhos, as escolas buscam alternativas para se manter presentes e fazer a diferença.
A plataforma que viabiliza as aulas não presenciais – Google Meet – foi anunciada pela Prefeitura no mês de julho. Aos poucos, os professores e famílias foram conhecendo e se adaptando ao ambiente. Cada professor encontrou uma maneira para transmitir informações e construir conhecimento em um momento desafiador e que a educação também precisa do suporte dos pais.
A diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Wolmar Salton, Gislene Garcia, afirma que cada escola está encontrando a sua fórmula para fazer esse novo modelo de ensino dar certo, respeitando as particularidades dos seus alunos. “Assim, temos vivido nos últimos meses: mantendo o contato por meio do Facebook, WhatsApp e, agora, pelo Google Meet e Google Sala de Aula; buscando o coletivo, mesmo estando cada um na sua casa; entendendo que, para estar próximo, não precisamos estar no mesmo ambiente físico; compreendendo que existe olho no olho mesmo no ambiente virtual”, aponta.
Para a educação infantil, o desafio é ainda maior. Isso porque, como explica a professora do pré II da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) André Zaffari, Janusia Fontes, as crianças estabelecem vínculos afetivos fortes com professores e colegas, que estão entrelaçados com o seu processo de aprendizagem. “A educação infantil tem uma característica muito dela, que é o vínculo com o professor. Nessa fase, as crianças aprendem quando há um vínculo de afetividade com o professor. Esse vínculo foi rompido em março, a partir do momento que não tivemos mais contato com os alunos”, justifica.
A Cristiane Sonalio é mãe do Davi, que tem cinco anos e está no pré II da Emei André Zaffari. Ela conta que a suspensão das aulas foi marcante para o filho, que está gostando da possibilidade de reencontrar virtualmente a turma por meio da plataforma. “Mudou muito para o Davi, que sentia falta dos colegas e da professora. Ele tem um laço muito bacana com a escola. Mas fomos conversando e explicando tudo para ele. Para a família, também mudou, pois não estávamos acostumados a participar das aulas, mas estamos nos adaptando e acabamos interagindo mais com ele. É como se voltássemos no tempo e nos encontrássemos em uma sala de aula também”, enfatiza.
A professora Janusia comenta que os professores estão desenvolvendo estratégias para que a construção de conhecimentos seja possível. “Para o professor, é muito difícil o planejar sem estar vendo as crianças. Não temos uma listagem de conteúdos. Nós temos, dentro da base nacional curricular comum, as competências e objetivos, mas eles são amplos. Então, vai muito da sensibilidade do profissional. E cada criança é diferente, com seu ritmo e necessidade… Faço vídeos para eles com brincadeiras e mensagens para que eles se sintam acolhidos. Quanto mais observarem o professor, mais o vínculo se restabelece e há mais sentido para as atividades que encaminhamos”, pontua.
Apesar das dificuldades, ela relata que muitas famílias estão se envolvendo e demonstrando avanços, o que é uma realidade geral da escola. “Já estamos tendo devolutivas. Estamos fazendo planejamentos na plataforma e criamos salas de aula. Temos crianças postando imagens de suas atividades em casa, e isso é muito gratificante. A gente percebe que essa é uma realidade que está conseguindo se instalar de uma forma muito tranquila para muitas famílias”, menciona.
Janusia reitera que as atividades são realizadas levando em consideração o que as famílias vivenciam. Para isso, a escola busca compreender a realidade de cada uma e estar sempre em contato para auxiliar. “Semanalmente, lançamos atividades lúdicas e agradáveis, que não tenham quantidade grande de materiais para não estarmos onerando as famílias neste momento de pandemia, pois sabemos que a maioria está passando por dificuldades”, acrescenta.
Por trás das medidas adotadas para que a escola continue presente no dia a dia dos alunos e das famílias e dos obstáculos enfrentados para que as aulas cheguem até as casas, o objetivo é único para todos: amenizar as perdas do ano letivo. Ultrapassar este momento requer compreensão. Enquanto as escolas precisam lidar com a nova forma de ensinar e entender a realidade das famílias, os pais devem ser um reforço no processo de ensino-aprendizagem dos filhos.