Área indígena de Água Santa registra mais de 70 conflitos em dois meses e prefeito relata tensão no município
A cidade de Água Santa, distante 53 quilômetros de Passo Fundo, tem vivido dias e noites de terror. Emboscadas a tiros, brigas com facadas, pedradas e incêndios de casas viraram rotina entre grupos de índios que vivem no município. De acordo como o prefeito Jacir Miorando (MDB) as desavenças opõem dois grupos de caingangues da aldeia Carreteiro, uma área de 600 hectares, no interior da cidade. Um deles é liderado pelo cacique Getúlio Daniel e o outro por ex-aliados dele. O estopim foi quando uma turma de dissidentes se rebelou e acabaram expulsos da aldeia.
O prefeito participou recentemente de uma reunião virtual com lideranças da FUNAI em Brasília-DF, acompanhado pelo deputado federal Alceu Moreira (MBD) e pediu para que o órgão faça a intermediação do conflito, visando resolver a situação. De acordo com Miorando, a Polícia Federal (PF) investiga se a discórdia foi motivada por arrendamentos de terras e indicações de cargos nas escolas e postos de saúde próximos – que costumam ser uma prerrogativa do chefe indígena Daniel. Segundo o chefe do executivo um inquérito já foi concluído e entregue à Justiça Federal. A prefeitura aguarda ansiosamente a resolução do caso.
Miorando contou que são cerca de 30 famílias que deixaram a área indígena e inicialmente acamparam no centro de Água Santa. Atualmente os índios estão acampados no Clube Brasil de Veteranos, local que foi emprestado para as famílias. Alguns destes já deixaram a cidade e foram para outras aldeias, porém a maioria deseja retornar para a comunidade. O prefeito relatou que as hostilidades duram dois meses e se agravaram quando Getúlio Daniel foi ferido com um tiro na perna, durante uma emboscada. O fato teria sido uma represália por ele ter mandado embora as famílias.
O prefeito informou ainda que o cacique reclama que seus comandados são hostilizados quando vão fazer compras na cidade. Ao todo aconteceram mais de 70 incidentes entre caingangues dentro e fora da aldeia nesses dois meses. Eles incluem indígenas baleados, alguns outros esfaqueados e apedrejados. Três casas foram incendiadas e não há indicativo de que o conflito esteja por terminar. Miorando relatou que a relação dele com o cacique é boa, porém o problema não tem a ver com o poder público.
O que preocupa o executivo é o fato de há duas semanas, as estradas que levam à área caingangue estarem bloqueadas com troncos e pedras por índios mascarados. O bloqueio prejudica criadores de frangos da região que não conseguem passar com caminhões de ração e levar os animais até o abate.
Ouça a entrevista com o prefeito de Água Santa, Jacir Miorando: