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Estado

Distanciamento Controlado caminha para esgotamento e população não quer bandeiras ditando suas vidas, diz prefeito

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Na tarde desta terça-feira (21), o governador Eduardo Leite se reuniu, por videoconferência, com prefeitos, representantes da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e de associações regionais de municípios para debater a possibilidade de ampliar a participação de governos municipais na gestão do modelo de Distanciamento Controlado.

A Associação dos Municípios do Planalto Médio Gaúcho, onde está a região de Passo Fundo, foi representada pelo seu presidente, o prefeito de David Canabarro, Marcos Oro. O encontro resultou na elaboração de uma nota conjunta, entre governo estadual e Famurs, que deixou clara a intenção de estabelecer, com diálogo, um processo de gestão compartilhada entre eles.

Apesar de não ter participado do encontro, o prefeito Luciano Azevedo foi informado sobre os detalhes da reunião e, em entrevista na Uirapuru, falou sobre as alternativas discutidas. De acordo com ele, o Governo do Estado gostaria de uma maior participação dos municípios na decisão das cores das bandeiras, especialmente na sua execução. Um novo modelo deve ser apresentado nos próximos dias, onde o governo estadual definiria a cor da bandeira e caberia aos municípios decidirem se adotam as restrições e orientações ou não.

Luciano Azevedo destacou que, neste primeiro momento, os prefeitos, representados pela sua entidade maior, a Famurs, além de suas associações, decidiram rejeitar a proposta, porque ela tem o objetivo de transferir responsabilidades para os governos municipais. O prefeito disse ter convicção de que o modelo de bandeiras caminha para seu esgotamento e, também entendendo isso, o governo estadual decidiu buscar uma saída honrosa.

O prefeito também ressaltou que a cada dia parece que o Distanciamento Controlado está sendo menos compreendido pela sociedade, que não quer bandeiras coloridas ditando suas vidas, mas sim alternativas para melhorar a situação do Rio Grande do Sul.

Para Luciano Azevedo, solução razoável seria investir mais na conscientização e menos no endurecimento de regras

O modelo de Distanciamento Controlado foi implementado no começo de maio no Rio Grande do Sul e desde então causou muitas discussões sobre sua eficácia, através do sistema de bandeiras. Esse modelo prevê quatro níveis de restrições representados por bandeiras nas cores amarela, laranja, vermelha e preta, que variam conforme a propagação do coronavírus e a capacidade do sistema de saúde em cada uma das 20 regiões pré-determinadas.

Nos últimos dias surgiu a possibilidade de uma divisão nas responsabilidades do modelo entre Estado e municípios, mas de acordo com o prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo, os governos municipais não podem compartilhar responsabilidades em um modelo que não ajudaram a criar diretamente.

Segundo Luciano, existem hoje duas dificuldades no modelo de Distanciamento Controlado. Uma delas é que a população cada vez mais vê o tempo passar sem alternativas, a não ser esperar as cores das bandeiras na sexta ou segunda-feira. Ele ressaltou que o modelo foi implementado com o objetivo de organizar o sistema de saúde, mas hoje já está sendo inaceitável determinar que todos fiquem em casa. A outra dificuldade destacada pelo prefeito é determinar na sexta que 90% do Estado fique em bandeira vermelha e já na segunda mudar quase toda a cor do mapa, mostrando que existem fragilidades no sistema. Para Azevedo, se o Distanciamento Controlado é, de fato, rigorosamente técnico e baseado em critérios objetivos, não poderia existir toda essa facilidade em mudar as restrições em vários municípios ao mesmo tempo.

O prefeito ressaltou que cabe apenas ao Estado apontar o caminho para o Rio Grande do Sul, mesmo que no momento não exista uma solução definitiva em nenhuma parte do mundo. Mas para ele, a solução razoável seria investir mais na conscientização e menos no endurecimento de regras, já que todos sabem os riscos que o coronavírus trás e os cuidados que devem ser tomados para evitar a doença.

Luciano Azevedo também destacou que não adianta os municípios tomarem medidas mais brandas individualmente, sendo que continuam tendo contato com outras regiões, já que aviões e ônibus continuam chegando e saindo. Para ele, o ideal seria amenizar restrições no Estado como um todo.

Ouça a entrevista com o prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo: