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Esporte

Sem Segredo: retomada dos jogos do Gauchão divide ouvintes da Uirapuru

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

A retomada dos jogos do Gauchão neste momento em que quase 90% das regiões do Estado estão com bandeira vermelha em função da Pandemia do Coronavírus divide opiniões dos ouvintes da Uirapuru.

No programa de sábado, muitos concordaram que este não é o momento de retomar jogos, mesmo com todos os protocolos de segurança. No entanto, alguns defendem que dá para realizar o campeonato, justamente pela adoção de cuidados rigorosos, argumentando que a maioria dos jogadores depende da atividade para o próprio sustento, especialmente os times do interior. Na enquete que o programa fez no site da Rádio Uirapuru, porém, 81% votou por não realizar os jogos neste momento.

Essa é a opinião, por exemplo, do presidente do Sport Clube Gaúcho, Augusto Ghion. Segundo ele, este é o momento de garantir segurança e preservar a saúde das pessoas. Reconhece que as dificuldades dos clubes é grande, mas acredita que dá para esperar mais um pouco.

O Gaúcho jogaria este ano a Segunda Divisão, em busca da Divisão de Acesso. A estreia da competição estava prevista para 5 de abril e acabou sendo cancelada e hoje não há precisão de retomada. Segundo Ghion, quando a Pandemia chegou, o clube não havia fechado a grande maioria dos contratos. E como os jogadores são contratados por temporada, manteve apenas dois contratos com jogadores, que já estavam finalizados e decidiu manter os colaboradores no clube, mesmo com dificuldades para cumprir a folha. Ele agradeceu às empresas que apostam no Gaúcho e que colaboram para passar por esse momento de dificuldade.

Uma das razões para a discordância da volta do futebol nesse momento da pandemia, é que muitos segmentos da economia estão com suas atividades restritas. E esse é o argumento defendido pelo presidente da Acisa de Passo Fundo, Evandro Silva. Para ele, o governo do Estado se mostra incoerente nas suas ações: “Restringe comércio, libera futebol, mas dentro da própria atividade esportiva, escolinhas de futebol, arenas esportivas estão proibidas de operar”. Evandro disse que os empresários não são contra o sistema de distanciamento, mas entende que é preciso rever alguns critérios.

O gerente de futebol do Passo Fundo Futsal, Alexandre Menegat, disse que o Futsal vive uma situação diferenciada, já que a competição está marcada para iniciar só em setembro e, espera-se, que até lá a situação esteja mais tranquila. O clube decidiu manter todos os jogadores e está realizando treinos virtuais para manter a equipe em forma.

A equipe é mantida por um grupo de conselheiros e patrocinadores. Menegat observa que os times pequenos dependem dos campeonatos para sobreviver e os jogadores, a grande maioria, tem na atividade esportiva o seu ganha pão. “Diferente de um Neymar, cujo salário mensal pode cobrir o custo todo do Passo Fundo Futsal por um ano”, compara. Para ele, o retorno das competições será bem diferente do que estamos acostumados. O Capingui, por exemplo, acostumado a pulsar nos jogos, lotando as suas arquibancadas, certamente não receberá mais tantas pessoas por conta do distanciamento social. O que não deve mudar, segundo ele, são os salários milionários de um grupo seleto de jogadores.

O secretário municipal do Esporte, Gilberto Bellaver, questiona se os protocolos de segurança serão realmente eficazes neste momento, lembrando que a organização de uma partida, mesmo sem público, envolve muitas pessoas. Ele também é da opinião de que o futebol poderia esperar mais dois meses para iniciar. “Passaríamos julho, em agosto poderíamos iniciar a organização dos protocolos e jogos e em setembro retomar”, exemplificou.

Segundo Bellaver, muitas outras atividades esportivas estão paradas, citando também as escolinhas, as arenas e competições com o vôlei. O secretário diz que a tomada de decisões como esta do governo, acaba refletindo e pressionando prefeitos e secretários, porque a comunidade questiona a medida e exige, legitimamente, que outros segmentos também sejam liberados.