Previsão de aumento nas temperaturas para os próximos dias pode fazer com que nuvem de gafanhoto ingresse no Estado
Especialistas brasileiros estão alertando que uma segunda onda pode fazer a nuvem de gafanhotos que viaja pela Argentina repetir o que ocorreu há 74 anos, entrar no Brasil e causar prejuízos à agricultura. Os especialistas apontam semelhanças entre o avanço da praga no país vizinho, neste ano, com a crise ocorrida em setembro de 1946. Na segunda metade dos anos 1940, sucessivas nuvens causaram problemas ao sul do Brasil.
Hoje a nuvem de gafanhotos segue a mais ou menos 150 km do Brasil, freada pelo frio dos últimos dias. No entanto, este frio deve se despedir a partir de amanha e dar lugar a temperaturas mais amenas.
De acordo com o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Ricardo Felicetti, existem semelhanças com os casos dos anos 1940 e com a atual nuvem. Os insetos estavam na província de Corrientes, na Argentina, na época e acabaram vindo para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, causando uma grande infestação de gafanhotos.
O especialista reiterou que o frio está mantendo os insetos praticamente imóveis, porém com a previsão de aumento das temperaturas nos próximos dias, a nuvem pode se movimentar. O fator preocupa e deixa as autoridades em alerta para evitar um surto de gafanhotos nas lavouras gaúchas. Felicetti afirmou que a vigilância na fronteira com a Argentina é constante e já existe um plano de emergência para uma eventual entrada da nuvem no estado.
Segundo Felicetti, o país vizinho não vem registrando muitos estragos por conta da presença dos insetos, pois a nuvem está numa região em que a pecuária é a principal cultura, portanto não existem muitas plantações que possam ser atacadas. O especialista contou que a Argentina tem monitorado as nuvens e apresentou certa dificuldade de combater a praga por ser uma região de difícil acesso. Foi realizado uma aplicação aérea de inseticida que reduziu o tamanho da nuvem em 30% e a estratégia da Divisão de Defesa do RS é a mesma, caso os insetos venham para cá.
Ouça a entrevista com o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Ricardo Felicetti: